Educação Sociedade

Educação Financeira: Refletindo sobre a implantação da Educação Financeira nas escolas de ensino fundamental e médio.

educação-financeira

Flavia de Souza Oliveira Gomes[1]

 

 

 

RESUMO

 

Este estudo se propõe a refletir acerca da implantação da Educação Financeira nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio. A saber, a capacidade que as crianças e adolescentes necessitam para entender os conceitos da alfabetização financeira e que podem vir a contribuir para uma gestão de suas finanças no futuro, bem como, de sua família no presente. Para tanto, defende-se a implantação de um programa de educação financeira nas Escolas Publicas com fins a assegurar um processo de apreensão do conteúdo proposto para que a criança de hoje possa atuar socialmente no futuro com mais segurança e conhecimento acerca das finanças do País no qual vive. A criança nasce dependente da família e ser assegurado pela escola, com conhecimento sobre finanças, garantirá a estes uma autonomia financeira no futuro.

 

Palavras-Chave: Educação; Finanças; Autonomia.

 

 

 

ABSTRACT

 

This study sets out to reflect on the implementation of financial education in elementary and Middle Schools. Namely, the ability of children and teenagers need to understand the concepts of financial literacy and that may contribute to the management of your finances in the future as well as his family at present. To this end, it is the implementation of a program of financial education in Public Schools with the purpose to ensure a process of seizure of the proposed content for the child of today can socially in the future with the most current safety and knowledge about the finances of the country in which he lives. The child is born dependent on family and school have secured a knowledge of finance ensure these a condition best of autonomy in the future.

 

Keywords: Education; Finance; Autonomy.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Esta pesquisa apresenta como eixo central a reflexão sobre a implantação da Educação Financeira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, e por assim o ser, optei por uma revisão bibliográfica como caminho metodológico.

Utilizarei uma abordagem referenciada na corrente filosófica do materialismo histórico, pois segundo Gil (2007, p.40) “o materialismo histórico, a produção e intercâmbio de seus produtos constituem a base de toda ordem social”.

Para este pesquisador, “as causas últimas de todas as modificações sociais e das subversões políticas devem ser procuradas não na cabeça dos homens, mas na transformação dos modos de produção e de seus intercâmbios”.

Esta pesquisa se classifica como exploratória de cunho qualitativa que segundo Minayo (1994, p.21) “responde a questões muito particulares”.

Marconi e Lakatos (2001, p.43-44) afirmam que a pesquisa bibliográfica “trata-se do levantamento de toda a bibliografia já publicada em forma de livros, revistas, publicações avulsas em imprensa escrita [documentos eletrônicos] .

Os autores enfatizam que “sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao cientista o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações”.

Já na concepção de Silva & Menezes (2001, p.21) “a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material disponibilizado na Internet”.

Segundo Marconi & Lakatos (1996, p. 66), pesquisa bibliográfica “abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao termo de estudo”.

Nesse ponto, há a necessidade de uma Revisão da literatura para saber claramente quem já pesquisou algo semelhante, busca de trabalhos semelhantes ou idênticos e pesquisas e publicações na área.

A função do educador é preparar as crianças para que elas conheçam seus direitos, sejam conscientes de seus deveres e mudem esse cenário injusto e preconceituoso no qual convivemos presentemente.

Infelizmente o cidadão a priori não tem consciência que o Hospital Público e a Escola Pública deve lhe assegurar um atendimento de qualidade. Somos donos desses patrimônios. Pagamos impostos diretos e indiretos para termos estes serviços prestados gratuitamente pelo Governo. E a partir do momento que utilizamos os serviços gratuitamente, economizamos recursos para outros gastos.

A cada dia, vem aumentando o nível de consumo entre os jovens e um dos fatores que está favorecendo para este comportamento é a falta de conhecimento em relação ao universo financeiro, que consequentemente, contribui para o endividamento e também para as compras desnecessárias.

A Instituição família tem grande peso e influencia nos hábitos dos filhos. Desde criança deve-se oferecer orientação quanto à diferença entre o que se precisa e o que se quer ou entre o que é necessário e o que é desnecessário, pois quando se deparam na adolescência, muitos dos jovens não demonstram maturidade e responsabilidade para administrar seu o dinheiro.

Está instituição exerce um papel primordial no desenvolvimento do pensamento, agregando para o comportamento das crianças. A introdução de hábitos saudáveis de consumo e o desenvolvimento de como lidar com as finanças, cabe principalmente aos pais.

É necessário iniciar a alfabetização financeira de forma lúcida para impulsionar um novo significado no que condiz às questões relacionadas ao dinheiro. Estes futuros adultos possuem uma enorme capacidade de aprendizado, então, cabe aos adultos disponibilizarem ferramentais fundamentais para alavancar a inteligência econômica.

Assim o ser, apoiando a formação familiar, o aprendizado de matemática na escola é o primeiro encontro no mundo das cifras, porém essa matemática apresentada nas escolas de ensino fundamental e ensino médio não tem um conceito relacionado aos fatores financeiros encarados no cotidiano. Ou seja, não atende as relações econômicas- financeiras que são enfrentadas todos os dias ao longo de nossas vidas.

Observa-se então, a importância de trabalhar a Educação Financeira nas escolas, a iniciar no ensino fundamental e se estendendo ao ensino médio, para que os alunos (criança/ adolescente) possam entender e se relacionar mais facilmente com as questões de valores.

Na realidade o material dinheiro, seu valor e sua utilização, só são aprendidos no momento em que se faz necessário postar-se no mercado de trabalho, ganhar o salário e distribuí-lo de forma a atender as necessidades e desejos.   O esforço utilizado para a produção desse provento traduz as dificuldades enfrentadas durante toda a existência do homem.

Para maximizar os efeitos da Educação Financeira para os jovens, surge a possibilidade do desenvolvimento, aprimoramento e introdução financeira para as crianças e adolescentes, através dos pais e professores. A implantação da Educação Financeira na grade curricular das crianças e adolescentes integrantes das escolas de ensino fundamental ao ensino médio dará suporte para o planejamento, controle e administração dos seus próprios recursos no futuro.

Ao professor, uma das formas de contribuir seria divulgar as informações, através dos alunos, sobre Educação Financeira, em todos os anos, mas com uma pedagogia apropriada para o novo conhecimento. Foi-se o tempo em que era realizado o escambo. O dinheiro foi criado pelo o homem, a fim de ser utilizado como uma ferramenta para intermediar as trocas e até então, não era encarado como a razão de todos os males nem tampouco como objeto de desejo para as pessoas. Os educadores devem sempre orientar os alunos sobre os vários assuntos pertinentes ao exercício da cidadania, tornando-os conscientes de seus direitos e deveres no convívio social.

Assim sendo, uma maneira de contribuir socialmente é através da conscientização dos educandos que, certamente serão futuros consumidores e contribuintes. Cidadãos que arcarão com as suas despesas e também com as despesas da maquina administrativa do povo.

A Educação é a base transformadora da sociedade, um direito garantido pela Constituição Federal que provém de uma ação conjunta, talvez utópica, mas, que concretize a Educação Pública básica e atenda os anseios futuros. Precisa-se mudar de paradigma para que a qualidade de ensino se eleve não apenas em números estatísticos, mas em qualidade de fato.

O Estado e a família juntamente com a sociedade, tem grande relevância na educação dos cidadãos, conforme descrito no artigo 205 da Constituição Federal (Brasil, 1988) “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício de cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

 DESENVOLVIMENTO

 

O estudo da Matemática Financeira do ensino fundamental ao ensino médio com uma metodologia apropriada para esta faixa etária e com o propósito de educar financeiramente fará com que o aluno tenha o primeiro contato com a relação homem/ dinheiro. Sua aplicação deverá atingir os diversos ramos da atividade humana, influenciando as tomadas de decisões nos aspectos pessoal e social.

Em assim o sendo, o aluno poderá vir a interagir com os conteúdos de Matemática financeira de forma pratica no meio ambiente em que vive. Um ensino contextualizado e significante para o aluno, o motivará a cuidar melhor do seu dinheiro, para poder relacionar-se ao trato com dívidas, crediários, escolhas e aplicações financeiras e entre outras.

Educação Financeira é um processo educativo que permite as pessoas de diversas idades, níveis sociais, raça ou cor, tenham um maior controle do seu dinheiro. O cuidado com o dinheiro fará com que exerçam uma atividade, um trabalho, uma profissão e lazer e tenham tranquilidade para planejar o futuro. A sua introdução trará grandes mudanças de atitudes em relação ao dinheiro, gerando um bem-estar socioeconômico e abrindo horizontes para os indivíduos.

Conforme descrito nos estudos de Scolari e Marasini (2012, p.4) “refletir a Educação Financeira e ponderar acerca das reais condições de ensino da matemática financeira na escola, lança um grande desafio aos educadores, o de avaliar a sua prática pedagógica”.

Através dessa avaliação, segundo o autor, o educador será capaz de apresentar “aulas contextualizadas e relacionadas aos demais conhecimentos escolares” e isso devido ao fato de que para Vygotsky (1998, p.66) “o estudo isolado da palavra coloca o processo no plano puramente verbal”.

Nesse caso, Scolari e Marasini (2012, p.4) inferem que “as definições e fórmulas da matemática financeira ficam soltas, sem sentido para o aluno. Isso porque todo conceito está ligado a outros conceitos, uma vez que os conceitos fazem parte de um sistema de conceitos”.

Além disso, para Vygotsky (1998, p.67) “um conceito não é uma formação isolada, fossilizada e imutável, mas sim uma parte ativa do processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução de problemas”.

Panizza (2006, apud Scolari e Marasini, p.3) afirma não ser “possível tratar o tema da aprendizagem e o ensino da Matemática sem se referir seriamente à questão do sentido”, ou seja, ao aluno deve ser oportunizado relacionar o que aprende na escola com as situações com as qual interage cotidianamente.

Por assim o ser, o tema financeiro embutido na Matemática, de acordo com Vieira (2010, p.26) “fará com que as aulas tenham situações do cotidiano dos alunos com vistas a resolver os problemas com auxílio da Matemática, permitindo que o aluno perceba a ligação entre o seu cotidiano e a Matemática”.

Na visão de Oliveira (2007, p.20) ao focar nos conteúdos pertinentes a Educação Financeira capacitará “os alunos a entenderem melhor o mundo em que vivem”.

Para, além disso, a pesquisadora defende a transformação dos mesmos em “cidadãos críticos que conseguem entender as notícias veiculadas através dos meios de comunicação, prepará-los para ingressar no mundo do trabalho, consumir, questionar, indagar sobre seus direitos e analisar quais os seus deveres”.

Afinal, uma nova geração emerge em um novo contexto social, agora altamente tecnológico, no qual, a informação lhes chega à velocidade impar.  Vemos crianças já com ares de adultas. Crianças que já estão sendo afetadas diretamente pela sociedade do consumo.

O jovem consome alimento, vestuário, transporte, recreação, despesas diversas, cultura e educação. No entanto, a priori, este jovem não tem consciência exata sobre o que consome e no que gasta. E na maioria das vezes, o gasto é desnecessário. Se este jovem receber orientação e formação financeira, certamente, terá mecanismos suficientes para não cair no consumo excessivo, além de obter suporte para seu planejamento e consumo de forma consciente e responsável.

Com as mudanças que o país está enfrentando em sua economia, faz-se cada vez mais necessário, o controle nas finanças pessoais. A mídia tem explorado este assunto com o objetivo de auxiliar as pessoas que se encontram em dificuldades financeiras.

De tempos em tempos, são abordados assuntos relacionados ao livramento dos gastadores compulsivos do mal. Exibem dicas ditas úteis para a finança pessoal e de como gastar, mas economizar ao mesmo tempo. Inicialmente é um tanto difícil mudar o comportamento e traduzir em números, o desempenho pessoal. Mais a tendência é de adquirirmos a capacidade de avaliar nossas condições de vida através de resultados financeiros.

Existe aquele que já é conhecedor nato da arte de administrar dinheiro. Também há aquele que aprendeu desde cedo, no seio familiar, a cultivar o saudável hábito de utilizar o dinheiro de forma correta. Porém também há gerações que cresceram sem saber lidar com as questões financeiras.

As recentes mudanças contribuíram muito para ampliar o debate e avanço acerca da Educação Financeira para a sociedade. O assunto chamou a atenção perceberam a farra do consumo e a falta de conhecimento e experiência, principalmente entre os jovens, em administrar suas finanças. Fatores que contribuíram para o aumento do índice de inadimplência.

Já se faz a hora, de aprender com a matemática financeira a lidar com o dinheiro. Pensar em como introduzir nas escolas de ensino fundamental e médio, programas destinados a ensinar pedagogicamente as crianças e aos jovens, a importância de serem educados financeiramente.

Portanto, como afirma a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2004, p.223) a “Educação Financeira sempre foi importante aos consumidores, para auxiliá-los a orçar e gerir a sua renda, a poupar e investir, e a evitar que se tornem vítimas de fraudes”.

Pode-se dizer que a alfabetização financeira é um elemento fundamental para o processo de preparação do jovem para a vida adulta e inclui também, um evidente propósito de oferecer as futuras gerações, uma forma de vida sustentável em sociedade.

Na adolescência se encontra o ambiente adequado para uma conscientização acerca do termo finanças e segundo Sthepani (2005, p.12) “cada indivíduo participante do processo de formação do ser humano tem uma parte de responsabilidade nesse processo de mudança pela qual a educação passa”.

Por assim o ser, o autor afirma que “a Educação Financeira vem ser um elo entre várias áreas do conhecimento, no sentido de fazer com que trabalhem juntas e formem na epistemologia do aluno conceitos capazes de instrumentalizá-lo para a construção de sua autonomia”.

Segundo Sthepani (2005, p.12) “a construção da autonomia é um aprendizado constante que não termina na fase escolar, mas sim acompanha o estudante por toda a sua existência”.

A Educação Financeira não faz parte do universo educacional escolar- familiar da sociedade. Percebendo essa necessidade, em 2007 o Governo decidiu constituir um grupo de trabalho com representantes de varias instituições a fim de desenvolver uma proposta de Estratégia Nacional de Educação Financeira, a ENEF. O projeto deveria contribuir para o consumo financeiro responsável.

Inicialmente seu objetivo era promover e fomentar a cultura educacional financeira no país, mas também, de ampliar o nível de compreensão dos cidadãos para melhor efetuar a administração de seus recursos e contribuir para a eficiência do sistema financeiro como um todo.

Mas as ações da ENEF se expandiram. E além de seus objetivos principais para o seu público-alvo adulto, a ENEF começou a prever ações voltadas especificamente para as escolas.

Em 2010 foi lançado o primeiro projeto piloto oficial de Educação Financeira nas instituições de ensino público de nível fundamental e médio. O projeto piloto testou uma metodologia de Educação Financeira em 450 escolas em vários estados brasileiro como: São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal, Ceará e Minas Gerais.

Foram desenvolvidos pelos educadores, conteúdos traduzidos e adaptados de Educação Financeira para todos os anos referentes ao ensino fundamental e ensino médio. Estes conteúdos foram distribuídos nas aulas curriculares já existentes.

Observo que esta foi uma maneira bastante inteligente que o governo encontrou para colocar a Educação Financeira nas escolas públicas. E também de ter dividido de forma organizada, o conteúdo nas aulas de matemática, história, ciências, geografia e até português. Fomentando a ideia que o aprendizado tem que vir desde cedo.

Aprender a Educação Financeira trará aos jovens possibilidades proeminentes de utilizar de forma correta seu salário, planejar gastos, saber aplicar financeiramente seu dinheiro e, para, além disso, ser capaz de efetuar compras sempre de forma consciente, e por assim o ser, saberá distinguir entre o necessário e o compulsivo. É uma ferramenta de prospecção de planejamento financeiro que proporciona para o indivíduo, uma vida estruturada e definida.

Existem esforços das empresas em evitar a inadimplência mesmo com as estratégias que incentivam o consumo. O descontrole no consumo compromete a renda e leva as pessoas para uma situação de endividamento.

A inadimplência é um reflexo consumista que se caracteriza como um problema de ordem social, afetando todo o sistema financeiro. E este, pode se torna crônico e preocupante para as empresas, e também, para o sistema financeiro, quando a renda dos cidadãos fica comprometida até ao ponto de não conseguir quitar seus débitos.

Mesmo assim, as estratégias para o consumismo investem no ‘poder de sedução’ para convencer as pessoas a consumirem cada vez mais, mesmo sem necessidade. Não somente comprar apenas mais um produto, e sim, uma ideia, uma filosofia ou um status.

Infelizmente algumas pessoas ainda desconhecem a complexidade e os efeitos, muitas das vezes devastadores, do ato de consumir. Então, pode-se dizer que, o aprendizado em finanças, introduzido desde cedo pela a escola e família, ajudará a minimizar ou até mesmo, evitar a decisão de consumir. Certamente diversos processos consumistas serão conduzidos para outro desfecho.

Sendo assim, a Educação Financeira lança as pessoas para um ato de liberdade e contribui para que vivam com dignidade na utilização de seus recursos de forma racional.

Para atender a necessidade de consumo de produtos e serviços essenciais à sobrevivência, antes alguns patrocinado pelo Poder Público, está sendo oferecido de forma privatizada com altos preços e tarifas exorbitantes, descontrolando a vida financeira da sociedade.

Por assim dizer, sem conhecimento em suas finanças pessoais, relacionar e administrar os recursos não é tarefa fácil para os adultos, muito menos para as crianças. Adquirir dinheiro é árduo, porém, gastar, às vezes desnecessariamente, é muito mais fácil. As cifras deveria ser apenas um intermediador na relação estabelecida entre homem/ consumo. A Educação Financeira proporciona o conhecimento e a utilização correta do dinheiro como um instrumento, uma ferramenta.

Não obstante, como preconiza Oliveira (2007, p.9) “a Educação Financeira não deve ser confundida com o ensino de técnicas e macetes de bem administrar o dinheiro, não devendo, também, ser confundida com um manual de regras moralistas fáceis”.

Na verdade somos seres livres dotado do livre arbítrio e como afirma muito bem Trigueiro (2005, p.28) “o templo sagrado do consumismo, uma bela lição em forma de música”.

O autor explica que “na trilha sonora do desenho animado Mogli, o menino lobo (Disney, 1967), o urso Balu, responsável pela educação de Mogli numa selva repleta de predadores, cantarolava a música Bare necessities”.

Trigueiro (2005, p.28) explica que “o refrão traduzido para o português ‘Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais’. Vivemos num planeta que oferece o necessário para todos, se ainda assim não conseguimos sermos felizes, talvez a culpa seja nossa”.

Assim, tem-se que conscientizar os educandos é como plantar uma semente que num futuro próximo irá dar bons frutos, mas gostaria de ressaltar que essas sementes precisam ser regadas e cuidadas até se tornarem árvores estrondosas com raízes profundas e que de seus frutos e sementes germinem novas ‘árvores da consciência e autonomia’.

Somente através da educação, do desenvolvimento do senso crítico é que se muda o país. A educação pode ser definida como a responsável pela transmissão de conhecimento de pessoa a pessoa, de geração a geração, a fim de que seja repassada continuadamente de maneira de ser, estar e agir. Requerida e absorvida para o convívio e ajuste social.

O papel do educador é a disseminação do conhecimento, desenvolvendo nas crianças e adolescentes, sujeitos pensantes, no exercício pleno da cidadania. O Estado promove o cumprimento da Constituição de 1988 oferecendo os serviços, de sua responsabilidade, ali descritos; mas a qualidade almejada pelo povo deve ser alcançada através  da cobrança dos gestores, com uma sociedade organizada.

Faz-se necessário trabalhar muito essa questão em sala de aula, em rodas de conversa conscientizando as pessoas que pagamos impostos de todas as formas seja comprando um pão na padaria, tomando um ônibus, ou seja, num simples pagamento de uma conta. A Educação Financeira ajuda a enfrentar os desafios do cotidiano, e a realizar sonhos, através do uso racional dos recursos.

Os educadores também são responsáveis para que essa informação chegue até essas pessoas que não tem acesso.

Com a proposta de trabalhar as atividades voltadas para as operações financeiras, o educador deve estar atento à adoção de novas práticas educacionais buscando aprimorar os conhecimentos e inovar as metodologias de ensino que vise à melhoria da educação e aprimoramento de sua competência.

O desenvolvimento tecnológico e a globalização trouxeram novas perspectivas de um mundo mais atraente. A sociedade passa a exigir do cidadão não só conhecimentos específicos, mas principalmente novas maneiras de organizar o pensamento e de saber lidar com dados estatísticos, tabelas e gráficos.

Diante do mundo globalizado, que apresenta múltiplos desafios para o homem, a educação surge como um caminho necessário e indispensável à humanidade para a construção da paz, da liberdade e da justiça social, uma vez que não nos constituímos apenas de partes; biologicamente somos parte de um todo.

A formação da consciência depende da educação. Não basta a educação preocupar-se em preparar os jovens para o trabalho. A educação precisa preocupar-se com o desenvolvimento completo do ser humano.

No entanto, como bem afirma Torres (2001), inconscientemente muitas vezes o professor se vê compelido a agir de forma automática em função das diversas dificuldades – ora salariais, ora de cumprimento de um horário muitas vezes continuo da manhã à noite sem interrupções. O ensinar passa a ser não mais uma ação pensada, programada com antecedência, um recriar diário em partilha com os alunos.

A mesma partilha com a qual o aluno cultivara seu espaço na sociedade e, portanto, como afirmam Carraher & Schilemann (1988, 179-180), “não precisamos de objetos na sala de aula, mas de objetivos na sala de aula, mas de situações em que a resolução de um problema implique a utilização dos princípios lógico-matemáticos a serem ensinados”.

Assim, educado financeiramente, o aluno estará apto a cobrar do Governo ações correspondente ao dinheiro arrecadado com impostos. Tem-se que desenvolver desde cedo, e também na escola, o senso crítico das crianças.

Para tanto, primeiramente há que torná-los conhecedores do assunto, debater, saber o que se passa no Município, no Estado e no País. Não se pode mais perpetuar um quadro de apatia no aluno que parece viver um ‘universo paralelo’.

Objetivos que possibilitem cada vez mais que a humanidade, no futuro, tenha no comando do País pessoas que de fato sejam conhecedores, com base em valores morais, éticos, possam transformar o mundo em um local no qual prevalecera o certo, o justo.

 

CONCLUSÂO

 

Somos um país imenso habitado por uma mistura de povos e raças. Temos muitas riquezas naturais, mas infelizmente a educação a iniciar no lar para depois adentrar ao lócus escolar e social não é prioridade. O ato de pensar então, este não se solidifica – poucos são os que de fato fazem-se valer da arte do pensar.

A escola se apresenta como um celeiro das diversidades culturais e por assim o ser, local ideal para criar criticidade nos jovens, bem como, expandi-la para a família. Quando uma criança sente-se atraída por um tema, ela leva esta informação para casa.

Talvez a maior dificuldade seja tornar este assunto atraente, mas hoje existem muitos recursos tecnológicos, áudios visuais que possibilitam criar atividades criativas e dinâmicas. Sempre que quisermos mudar o mundo, temos que se lembrar da escola e do seu papel fundamental na formação cidadã.

No que tange especificamente as questões pertinentes à área financeira, esta não aparece na grade curricular da escola publica. Mais há um interesse para que a Educação Financeira se torne uma atividade consagrada em nosso currículo de ensino.

A conscientização do jovem no que diz hábitos e costumes financeiros poderá com ações contundentes, melhorar o sistema em que convivemos. A abordagem do tema proposto é grandioso, extenso e importantíssimo para o dia a dia de todos. Certamente o fato de inteirar e integrar as pessoas desde cedo a fatores financeiros, contribuirá para a diminuição ou eliminação no que tange outros fatores, como por exemplo, o desperdício.

Não obstante, a Educação Financeira deveria ser uma ferramenta em defesa de nosso bem estar e instrumento para possibilitar aos alunos pensar, refletir de fato acerca de suas necessidades – afinal, a criança, o jovem que no presente senta em um banco escolar, será o futuro administrador, advogado, médico, político.

Os órgãos governamentais, juntamente com seus parceiros, visa estabelecer e oferecer a disseminação do conhecimento de forma geral e abrangente, se propondo ao desenvolvimento e implantação de uma Estratégia Nacional de Educação Financeira como projeto inserido nas escolas, aonde cada instituição defende seus conceitos e ações para dinamizar o aprendizado no que diz a educação aplicada para todos.

Aos educadores, a cada novo dia é preciso estabelecer como meta a conscientização do aluno para que possa aprender a usufruir dos seus direitos desde que cumpra devidamente com as suas obrigações.

Daí a necessidade de transformar este projeto num conteúdo essencial e primordial em todas as etapas do ensino fundamental ao médio, cada qual ao seu nível, mas embutindo a Educação Financeira na grade curricular das escolas.

Para, além disso, propagar a Educação Financeira para o aluno e para além dos muros da escola, pois os bens sociais só serão socializados quando houver consciência financeira, e a profissão de educador é uma ferramenta privilegiada para essa tarefa.

Com o objetivo de ensinar aos alunos (crianças/ adolescentes) a importância de valorizar e administrar seus recursos, a Educação financeira deve começar a quanto antes, e, preferencialmente, relaciona-la em todos os conceitos e práticas da educação básica de ensino.

É a partir do pequeno microcosmo que vivemos diretamente que poderemos interferir no maior. Se não levarmos à população a perceber e a cobrar o que é seu direito no mais próximo (educação de qualidade e voltada para o crescimento pessoal e social), ela nunca irá cobrar o que está mais longe. É um trabalho de paciência histórica, pois nem sempre as pessoas querem se comprometer e se responsabilizar junto.

A aplicação do tema proposto reforça a inserção da Educação Financeira no currículo escola em todas as unidades de ensino básico, para que se possa ser abordado gradativamente à questão da responsabilidade social. E assim, contribuir para que os jovens aprendam o senso crítico de cidadania, de direito e deveres, ainda na família-escola e se tornem cidadãos conscientes e com melhor qualidade de vida.

Mas não se pode desistir. É com pequenas ações que se consegue transformar uma sociedade.

 

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[1] Bacharel em Administração pela UNESA

Universidade Estácio de Sá- Campus Macaé, RJ.

ffflaviasouza@gmail.com