Administração Negócios

Administração descentralizada na organização odebrecht: Estratégia para crescimento

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Flúvio Stefanine Cavalcanti de Souza[1]

 

 

Resumo: A necessidade de expandir, atuar em novos mercados, muitas vezes, com novos segmentos, cria um ambiente de desafio ligado ao modelo de administração do negócio. Como gerir em diversos lugares com atuações variadas? Uma resposta seria a administração descentralizada. Dividir o empreendimento em diversas empresas com autonomia de decisão, assim funciona o grupo Odebrecht e este case de sucesso, formulado em experiências de vida do fundador e pensamentos de administração moderna, podem ser utilizados para desenvolvimento de novos empreendedores e empreendimentos.

Palavra – chave: Administração Descentralizada, Delegação Planejada, Tarefa

Empresarial, Sistema de Comunicação.

1. INTRODUÇÃO

A atual Odebrecht S.A, foi fundada em 1944, na Bahia, iniciada como empresa individual Norberto Odebrecht, posteriormente Construtora Norberto Odebrecht S.A, que integra a Organização Odebrecht.

A origem do nome vem de seu fundador, Norberto Odebrecht, que iniciou trabalhando na construtora de seu pai, Emílio Odebrecht, desde 15 anos e a herdou aos vinte anos, com dívidas advindas da II Guerra Mundial. Aquele tempo a Emílio Odebrecht & Cia. possuía um enorme ativo, seus integrantes, os mestres de obras, formados de experiências profissionais e pessoais.

Este ativo foi o grande apoio para que Norberto Odebrecht consolidasse a empresa tornando-a capaz de liquidar as dividas da Emílio Odebrecht & Cia em tempo menor que o esperado, aumentando a credibilidade da recém nascida empresa com seu nome.

A Odebrecht S/A é uma Organização sólida, constituída por um conjunto diversificado de empresas que atuam internacionalmente em cinco continentes, nas áreas de transporte, energia, empreendimentos imobiliários, plantas industriais, saneamento, petróleo e gás, irrigação e mineração, infra-estruturas. Considerada a maior empresa de engenharia da America Latina e a maior exportadora brasileira de serviços.

A organização tem como patrimônio intangível a Tecnologia Empresarial Odebrecht – TEO que é referência da filosofia, cultura e ética que orienta todos os integrantes da organização. A TEO tem como princípios, critérios e conceitos fundamentais confiança nas pessoas, satisfação do cliente, retorno aos acionistas, atuação descentralizada, parceria entre os integrantes, autodesenvolvimento das pessoas e reinvestimento dos resultados.

A atuação descentralizada permite que seja uma empresa local em cada país que atua, identificando, conquistando e satisfazendo, servindo melhor no que necessita o cliente.

O interesse despertado pelo sistema de administração da Odebrecht nasceu do acompanhamento paralelo de sua expansão e crescimento. Sua forma de administrar não somente permite que ela cresça, mas também seus integrantes. Isso favorece a admiração de todos (diretos, integrantes, e, indiretos, familiares dos integrantes) que convivem com sua cultura e usam o nome da empresa como uma grande família (Odebrechtianos, pode ser), que gera um retorno em dedicação, sinergia e incorporação natural dos princípios, critérios e conceitos.

A necessidade de expandir traz muitas vezes a impossibilidade física de acompanhamento do detalhe nas negociações no dia a dia do empreendimento. Isso pode ser absorvido por um sistema de administração descentralizada, onde com base na confiança e acompanhamento das metas pactuadas, permite-se autonomia de decisão da unidade de negocio, favorecendo todos os envolvidos: clientes, acionistas e equipes.

Pesquisar e divulgar seu modo de administração descentralizada Odebrecht enriquece a admiração e formação pelo o trabalho, podendo contribuir para os que desconhecem, solucionando dúvidas, e, gerando a oportunidade de crescimento as novas gerações de empresários. Aqui está disposto um resumo de sua filosofia e formas de administrar o crescimento, sobrevivência e perpetuidade de uma empresa.

2. DESENVOLVIMENTO

Em 2009, o assunto principal era a crise financeira que iniciou nos Estados Unidos da America e se alastrou para o mundo, esta mostrou como os países estão interligados e interdependentes. Muitas empresas com mercado único faliram, alguns impérios de segmentos específicos quase ruíram, dependendo do governo para permanecerem, neste momento vimos que aquelas empresas e países com negócios diversificados sobreviveram; O Brasil e os brasileiros, em destaque, foram criativos e empreendedores para resistir à crise.

Mesmo usando o termo para o empresariado que é o foco desse artigo sabe-se que diversificar e descentralizar podem ser utilizados em outras estruturas organizacionais.

Todos os empresários de alguma forma aprenderam a administrar seus negócios, poucos aprenderam a diversificar sua atuação. Observa-se um ponto em comum para a resistência, estes empresários têm a dificuldade de descentralizar a forma de administrar, eles são o seu negócio, sendo assim como diversificar? Eu precisaria ser dois ou mais? Resposta para essa pergunta pode ser respondida com um exemplo ao olhar para frente identificando uma empresa brasileira, baiana, com um solido histórico nesse assunto: Grupo Odebrecht.

A história da Odebrecht, desde seu inicio, segue como um grande case de sucesso sustentado pela sua incorporação cultural e filosófica, a Tecnologia Empresarial Odebrecht – TEO –. Assemelha-se com a Toyota Production System ou Bosch Prodution System, porém indo além de sistema de produção, na Odebrecht, engloba toda a estrutura empresarial, vida profissional dos funcionários, e, envolvendo a vida pessoal e dos familiares dos incorporados a cultura. Servir melhor meu cliente, a comunidade, o pais, e, ao próximo é um dos principais ensinamentos interpretados da TEO.

A TEO ao longo dos tempos soma ajustamentos e adaptações, porém sobre uma base que nunca muda. Estes ajustes dão-se devidos à constante busca das melhores formas de adequar-se as novas realidades. Consolidando a estrutura de administrar da Odebrecht tem como princípios, critérios e conceitos contidos em sua teoria empresarial, disseminados entre todos os que integram o grupo, visando estabelecer o crescimento, sobrevivência e perpetuidade de uma empresa.

Esta tecnologia empresarial, cativa além da forma que foi elaborada pelo Dr. Norberto, com experiências vividas e aprendidas, é como ele a vive, não somente expõe. Outro fato torna a TEO aceita e reproduzida pelos que participam integralmente da empresa, seria a facilidade em visualizar que a teoria é aplicada, sentir que realmente existe em todos os níveis organizacionais, não só do criador dela, mas de todos. Isso torna forte a cultura empresarial, todos passam a ser uma empresa com comum espírito de servir.

Essas referências contidas na TEO que são:

  • Confiança nos Seres Humanos
  • Satisfação do Cliente
  • Retorno aos Acionistas
  • Atuação Descentralizada
  • Parceria entre os Integrantes
  • Autodesenvolvimento dos Seres Humanos
  • Reinvestimento dos Resultados

Espírito de Servir, talvez entre os conceitos mais sentidos da TEO. Para isso temos que ter humildade e simplicidade. Aprender a servir ao invés de ser servido.

Ser uma grande empresa com alma de pequena, e reconhecendo o seu cliente como único. Não atua para uma grande obra, somente, ela quer estar junto ao cliente, realizando as obras de qualquer tamanho, sonhando o sonho do cliente, para o cliente, visualizando suas necessidades e atendendo-as melhor, mais.

Saber que a empresa além de trazer resultados financeiros, existe para melhor servir o seu cliente, integrantes, sociedade e acionistas. É um ciclo que possibilita a base para atuações futuras.

Focando o sistema de descentralização, observa-se que todos os conceitos da TEO estão ligados. Para descentralizar é necessário mais que vontade, precisa-se saber delegar, confiar nas pessoas que recebem a delegação, saber acompanhar, medir e apoiar na superação de resultados. Ter uma relação aberta e franca entre líder e liderados, todos voltados para o melhor resultado do negócio.

A empresa não deve estar presa a uma pessoa, tem que movimentar-se para diversos lados com autonomia, possibilitando que respire sem a presença constante do principal dono, este deve saber que a saúde dele, aos credores/pares pertence.

Sem jogo de ganha e perde. Participar de um jogo com regras onde todos ganham.

Quando uma empresa descentraliza, fica próxima ao cliente, pois, ele terá ao lado um líder, empresário, que tem autonomia, entende sua cultura e percebe com clareza do que ele necessita, torna possível ali mesmo a tomada de decisão, que está sempre acessível e disponível para melhor servi-lo.

A descentralização em uma estrutura global onde são criadas unidades de negócios autônomas, na Odebrecht, cada negócio é administrado pelo chamado empresário-parceiro, integrados a cultura empresarial, que têm o compromisso de atender mais e melhor na realização do sonho do cliente, e os acionistas com resultado, sempre aberto e pronto a reconhecer e corrigir seus erros. Possibilitando assim que para o diretor-presidente visualize assuntos estratégicos ligados ao crescimento, sobrevivência e perpetuidade da organização.

O líder Odebrecht, atua com a delegação planejada, confiando no ser humano, na honestidade do seu caráter no seu potencial e vontade de desenvolver-se, em sua competência, equiparando entre esses conceitos e a identificação com a filosofia da organização. Segundo Norberto Odebrecht: “A Tarefa Empresarial é o processo contínuo voltado para a identificação, criação, conquista e satisfação do Cliente.

Continua Norberto Odebrecht: “Resultado: A contínua valorização dos Patrimônios Moral e Material dos Acionistas torna possível o fluxo de Resultados cada vez melhores e maiores, no sentido Cliente Acionista”   

Tornando mais claro o entendimento da Cultura de Descentralização, Marcelo Odebrecht cita: “Pressupõe confiança nas pessoas e a pratica da delegação planejada. O que por sua vez pressupõe a pratica do ciclo do PA e parceria. A qual por sua vez inclui a partilha de resultados.”

Existe compromisso, não somente servir melhor os clientes e acionistas, mas também a sociedade, onde a Organização Odebrecht atua no cumprimento da responsabilidade social, com a qualidade de vida das comunidades onde se insere, contribuindo para o desenvolvimento, assegura o permanente respeito ao meio-ambiente nas ações empresariais.

Para implantar a descentralização, primeiramente é necessário ter confiança no ser humano, posteriormente identificar líderes que compartilhem da filosofia organizacional, cultura comum, com sinergia, desenvolvendo o todo possibilitando o crescimento auto-sustentando, assegurando a perpetuidade da Organização.

Dividida em unidades de negócios, liderados pela Holding Odebrecht S/A, e apresentando uma estrutura horizontal, apresentado da esquerda para a direita, têm-se Acionistas, conselho administrativo, diretor-presidente, lideres empresariais (LE) e vice-presidentes (VP), diretores superintendentes (DS), diretores de contrato (DC), equipe e clientes. Cada posição dentro, desta estrutura, tem uma importância, liberdade e responsabilidade de cumprimento da missão recebida, administração do próprio negócio.

Os Acionistas em assembléias ou junto com conselho administrativo decidem suas intenções de servir a comunidade, em áreas negociais específicas, a partir das propostas de investimentos ou reinvestimentos apresentadas pelo Diretor-Presidente da Holding.

Em seqüência a essas decisões o Diretor-Presidente formula junto aos seus Líderes Empresariais – LE –, já identificados e integrados a organização, o Plano de Ação (PA)[2], que seria a lista de prioridades e lideres escolhidos para concretizá-las como parceiros.

Entende-se que Planos ou Programas de Ação seguem além deste registro de ações desejadas e descrita numa lista de papel. A diferença está em fazer com que as ações aconteçam e colocar na prática o que esta sendo compartilhado através deste acordo e negociação, transformando estes resultados esperados em resultados reais, efetivos e melhores. Estes podendo ser acompanhados, avaliados e julgados.

Fator importante é a comunicação, quem se comunica está disposto a tornar comum uma informação ou conhecimento, a ser influenciado e a influenciar, com o objetivo do melhor a se fazer na busca do que é certo. Esta comunicação deve existir num ambiente amistoso e sinérgico com franqueza, lealdade e honestidade.

Assim segue de líder a liderado, “compra” e “venda” de prioridades, construindo plano de ação, aos próximos da linha estrutural com espírito de servir, com dialogo pessoal e direto realizado em diversos níveis da organização.  O líder ao “vender” ao liderado seu plano de ação, espera obter o programa de ação, ligado ao negócio destinado ao que o cliente quer e valoriza. Lembra a essência da concepção negocial, Norberto Odebrecht: “antes, define-se o Cliente; em seguida, define-se o negócio.”

É notável a importância do Cliente para a organização Odebrecht, visualiza-se nas ações da empresa e em uma citação do Norberto Odebrecht: “Não existe empresário sem Cliente e sem um negócio muito bem definido com esse mesmo Cliente.”

A Odebrecht consegue ver que não existe “O Mercado”, pois o mercado é um local onde, singularmente, o vendedor se encontra com o comprador. É constituído de pessoas. Para ampliar o mercado deve-se satisfazer cada cliente, vender mais para cada cliente e conquistar novos clientes. Essa relação Cliente e Empresário, onde a vida de um é fundamental à do outro.

O liderado deve estar alinhado com o negócio conferido pelo líder, caso esteja desalinhado a isto, não pode ser considerado um empresário e assim não há sentido continuar o diálogo.

A avaliação do empresário está a cargo do Líder Empresarial dotado de “sensibilidade” na identificação de pessoas dotadas de vocação empresarial, sendo positivo, o futuro parceiro assimilará o negócio que irá assumir, logo definindo o que deverá fazer para ter sucesso e criando critérios, em números, para medir os resultados, em que prazos e quais custos, pois será questionado pelo LE.

Com a resposta sobre resultados, prazos e custos, o Líder Empresarial e o Empresário-parceiro passam a negociar a produtividade esperada, aquela que cobre os custos do negócio, como também pagamento de juros, amortizações, reposições etc. Com a parceria, o que excede o resultado da produtividade esperada do negocio, em particular, pode ser considerado objeto de partilha pelo empresário/parceiro.

Norberto Odebrecht comenta que: “Empresário é o Ser Humano capacitado a transformar qualidade em quantidade e vice-versa e a fazê-las crescer, simultaneamente.”

Superar os resultados é uma característica assumida pelo empresário/parceiro, sabendo-se que simplesmente cumpri-los seria comum a um assalariado. Com a superação, os recursos conquistados permitem a participação dos resultados por parte do parceiro. Característica da relação parceira são unificações das forças do empresário/parceiro e a Organização, mediante envolvimento e comprometimento.

Visualiza-se uma formula simples negociada a produtividades futuras: Alta produtividade gera alta remuneração.

A seguir é interação dos programas de ação dos lideres aos liderados, pois os resultados da integração do programa dos liderados constituem o programa de ação do líder. Após aprovados, o PA do liderado cumpriu a primeira metade da sua tarefa empresarial – o planejamento –, tendo como outra metade a execução, realizado em conjunto entre as partes a avaliação, o acompanhamento, e o julgamento do negócio.

A relação de cumprimento da execução na tarefa empresarial, líder e liderado, deve ser sempre franca, leal e amistosa, tendo em vista que ambos têm em vista uma finalidade comum – Como e em quanto melhorar: a satisfação do cliente e os resultados esperados; Abreviar os prazos e reduzir custos. –. Cita Norberto Odebrecht: “O Líder e liderado não conversam sobre “Problemas”. Conversam, apenas, sobre oportunidades e resultados.”

Nesse momento pode-se entender o fluxo e refluxo na tarefa empresarial exercida na descentralização e delegação planejada no grupo Odebrecht. Visualizando as duas metades da tarefa empresarial, vemos na primeira metade o fluxo, espírito de servir, que vai dos acionistas (orientação, estímulo e recompensa) ao cliente e na segunda metade, criando-se refluxo que vai do cliente até os acionistas, como resultado da satisfação do cliente na execução da tarefa. Essas tarefas funcionam simultaneamente e em processo de PDCA, mantenham a melhor satisfação do cliente e o resultado, assegurando a necessidade de sobrevivência, crescimento e perpetuidade da organização.

Norberto Odebrecht: “Espírito empresarial é, a rigor, a capacidade de aliar as grandezas morais (qualidade) às grandezas materiais (quantidade) e multiplicar estas duas grandezas, simultaneamente.”

A administração descentralizada na Organização Odebrecht foi e é uma estratégia para crescimento. As concepções de formar e manter uma empresa como a Odebrecht, vivida, incorporada e explicita, torna o todo no conglomerado desta empresa.

Gera um fascínio olhar para o inicio de sua história. Seu fundador foi de pedreiro a administrador de um império. É o retrato da vida de um menino que, antes de seu ginásio iniciou sua educação para o mundo e para as pessoas, agindo sobre o que via e sempre incorporando aprendizado que no futuro seria integrado a sua filosofia empresarial.

A Engenharia está no DNA da família Odebrecht, com origem alemã e espírito de desenvolvimento político, social e econômico.

Norberto Odebrecht inicia sua vida profissional aos 15 anos, começou pedreiro, depois ferreiro, serralheiro, armador, chefe de almoxarifado e coordenador/responsável por centro de resultados dos caminhões.

Nessa trajetória criou fundamentos para coordenar homens, influenciar e ser influenciado, obtenção de resultados no tempo certo. Consenso de o que é certo.

Herdou uma empresa com sérios problemas financeiros, mas soube aproveitar, desta empresa, o capital intelectual. Assumiu, reestruturou, saldou dividas, e consolidou em textos experiências vividas e aprendidas, gerando os esboços para a tecnologia empresarial.

Solidificou sua empresa com a credibilidade de seus clientes. Compartilhou com todos os integrantes seu espírito de servir, identificar necessidades e satisfazer clientes, na clara forma do seu trabalho (Pedagogia da presença), delegou negócios para expandir, crescer, diversificar.

Sistematizou em textos a Tecnologia Empresarial Odebrecht. Os princípios para um integrante saber como dar continuidade no que acredita o fundador, contribuindo para o crescimento, sobrevivência e perpetuidade. Seria algo, em analogia, como a Constituição para um Jurista, onde o “Odebrechetiano” deve ter incorporado e consultar para direcionar na sua trajetória.  Podendo ser usada também para a formação de uma cultura familiar, além da empresarial.

Com negócios diversificados, delegados, começa a atuar internacionalmente.

Forma constantemente novos e melhores parceiros.

Conquista reconhecimento nacional e internacional, por referência da satisfação dos seus clientes, no melhor atendimento de suas necessidades.

Entender o que é mercado e atuar para expandir seu negócio ao seu cliente, único e conquistar novos clientes únicos.

Odebrecht é uma grande empresa com espírito de pequena, ela está próxima de seu cliente. Na prestação de serviço em diversos negócios e como investidora em diversos negócios.

Em muitos de seus negócios visualiza-se consórcio, onde a Odebrecht é líder ou não do projeto, compartilhando riquezas morais e materiais. Funciona quando há união de um, ou mais, prestador de serviço com a Odebrecht, determinam-se percentuais do investimento de cada um no negócio, para melhor satisfazer o cliente. Neste caso melhor percebe-se que ela realmente joga um jogo com regras onde todos ganham.

Hoje, com mais de 60 anos de existência, esta empresa tem unidades de negócios que atuam com mercados diversos, maior importadora brasileira de serviços, atua em cinco continentes, diversos países e geradora de empregos para cerca de 120 mil pessoas, direta e indiretamente. Norberto Odebrecht é presidente de honra do Conselho Administrativo, a empresa conta com três gerações da Família Odebrecht atuando em posições de liderança nos negócios, seu filho, Emílio Odebrecht, é presidente do Conselho Administrativo, e, seu neto, Marcelo Bahia Odebrecht é Diretor-Presidente da Odebrecht S/A que lidera o novo ciclo de crescimento.

Buscando a continuidade de seus negócios e cultura empresarial, a Odebrecht, cria constantemente oportunidades para desenvolver seus talentos já integrados, busca no mercado pessoas para capacitar profissionalmente, e, profissionais para integrar a cultura e aos negócios.

Entre alguns de seus programas existe o Jovem Parceiro, que integra jovens em formação e recém formados, a sua cultura e negócios, possibilitando melhor aproveitamento e desenvolvimento da carreira.

Além de estimular os que já participam do grupo, forma pessoas tornando claro seu interesse na contribuição ao ser humano e acompanhamento do desenvolvimento do Brasil, e, do mundo nas diversas formas de atuação.

O sucesso da descentralização Odebrecht, baseadas em princípios e características da TEO, confiando e respeitando o ser humano, identificando, acompanhando, instruindo, formando, comunicando-se, planejando e executando, melhor satisfazendo clientes e acionistas, e, reinvestindo resultados.

A maior dificuldade na descentralização, além de sair do dogma antigo de centralização, é identificar lideres, caso este não saiba definir a condução do negócio, mesmo sendo apoiado pelo líder. Para o fluxo e refluxo funcional é necessário o alinhamento e sinergia no processo inteiro.

Outro ponto a se comentar é que por falha na comunicação, talvez, em alguns momentos talentos ou integrantes ligados ao espírito organizacional, perdem-se nas operações de mobilização e desmobilização dentro das unidades de negócios, sem que muitas vezes tenham a oportunidade de desenvolvimento, não sendo absorvidos/visualizados pela organização.

Na Odebrecht as dificuldades, já visualizadas, estão gerando programas para identificação dos integrantes, mesmo com a dimensão da estrutura utilizada, criou-se a necessidade de saber, de maneira mais próxima, quem colabora com resultado do negócio.

Com o conhecimento do passado e presente, construindo o futuro, na divulgação do funcionamento da Organização Odebrecht S/A, pode-se formar e ampliar visão dos acadêmicos e empresários sobre uma forma estratégica para o crescimento nos negócios, novos empreendedores e empreendimentos, com eficiência e eficácia. Em foco conceitos e princípios utilizados neste case de sucesso.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma pessoa ou um grupo de pessoas cria uma empresa para se perpetuar, por gerações servindo à sociedade, dentre elas seus clientes, gerando resultados e fechando o constante ciclo de retorno a todos.

Exemplos antigos e novos levam a crer que atuar em vários mercados equilibra a sobrevivência e perpetuidade de uma empresa, e, para diversificar com sucesso a melhor forma é descentralizar.

Considerando que na centralização o líder máximo da empresa se envolve com assunto muitas vezes insignificante e corriqueiro que ocupa sua postura estratégica para evolução, numa empresa descentralizada o líder da holding ocupa seu tempo analisando e investindo em cenário para o crescimento, sobrevivência e perpetuidade do grupo, delegando aos empresários-parceiros a tomada de decisões em seus negócios.

Descentralizar é um processo continuo e único. Continuo na forma constante de não acomodar-se, a melhoria deve ser continua em todas as estruturas (Social, Econômica e Política), conhecer, acreditar e formar seres humanos desenvolvendo-os e gerando oportunidades. Único ao servir um cliente, realizar o sonho de forma melhor do que ele sonhou, gerando resultados além dos financeiros, para os acionistas e sociedade.

Além de ter uma cultura é preciso viver essa cultura, caso contrário será algo que existe somente no papel. Estabelecer as regras e levar adiante entre os que integram a empresa. Acreditar, assim, atrair a crença onde todos ganham para o bem comum.

A elaboração com base em um case de sucesso, como a Odebrecht S/A, traz a credibilidade no conteúdo estudado e exposto.

A administração descentralizada permite com alguns princípios – planejamento, pactuar, acompanhamento, avaliação e julgamento; Confiança no ser humano, sinérgico as suas concepções – que um empresário administre seus negócios sem a dependência na tomada de decisão, tornando-as mais rápidas e próximas ao cliente, possibilitando que ele se dedique atenção para novas oportunidades e perpetuidade do negócio. Porém, a aplicação dos princípios devem realmente fazer parte da cultura organizacional, caso contrário será difícil o crescimento e até mesmo a sobrevivência do negócio. A Odebrecht funciona como uma grande família com objetivos comum para os melhores resultados a todos os envolvidos, desde Acionistas até os Clientes e sociedade.

Percebe-se que a sistematização em livros e Tecnologia Empresarial Odebrecht – TEO – é real e praticada dentro da Odebrecht, e, isto consolida a sinergia dentro da organização, levando a resultados de crescimento que se perpetuam.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Jornal Valor Online  – Gestão descentralizada é motor da internacionalização da Odebrecht – Outubro/2007 Disponível em:

http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/4533627/gestaodescentralizada-e-motor-da-internacionalizacao-da-odebrecht

Lodi, João Bosco. 1970: História da Administração. 1ª Ed. 1970.

Odebrecht, Norberto. 1991: Educação Pelo Trabalho. 1ª Ed. 1991.

Odebrecht, Norberto. 2007: De que necessitamos?. Ed. Atualizada

Odebrecht, Norberto. 2008: Crescer, Sobreviver e Perpetuar – Tecnologia

Empresarial Odebrecht. 9ª Ed. 2008 – 3 vol.

Odebrecht, Norberto. 2009: Influenciar e Ser Influenciado. 3ª Ed. 2009 – 5 vol.

Revista Concreto & Construções – IBRACON Personalidade Entrevistada – Agosto/2007 Disponível em:

http://ibracon1.locaweb.com.br/publicacoes/revistas_ibracon/rev_construcao/i

ndex.html

Revista ISTOÉ Dinheiro – CAPA – Empreendedor do ano infra-estrutura – Dezembro/2008 – Disponível em:

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/584/imprime118272.htm


[1] Graduando em Administração – 06/2010

Universidade Estácio de Sá Macaé/RJ

fluviosouza@yahoo.com.br

 

 

[2] PA – Planos ou Programas de Ação