Educação

O processo de Ensino-Aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma para a Indústria de Petróleo e Gás – Bacia de Campos

Plataforma petrolífera P-52 no campo de Roncador, da Bacia de Campos.

Bárbara Emília Monteiro Nunes da Silva1

1Pós Dr., UNTREF, Buenos Aires, AR

 

RESUMO

Esta pesquisa analisou o processo ensino-aprendizagem dos alunos dos Cursos de Capacitação em Segurança Industrial, especificamente o Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP realizado pela empresa de treinamento e consultoria Sampling Planejamento e Assessoria de Segurança Industrial LTDA, obrigatório para as atividades desenvolvidas na Indústria de Petróleo e Gás da Bacia de Campos, localizada no município de Macaé – RJ/ BR, visando a avaliar em que medida os conhecimentos adquiridos estão relacionados com uma prática segura no ambiente de trabalho offshore. O tipo de pesquisa baseou-se no estudo de caso realizado por meio da observação in locu e de questionários de entrevistas com alunos da Sampling e, como instrumentos para coleta de dados, buscou-se a análise documental das provas teóricas, fichas de evidências dos exercícios práticos, mapas de notas, controles de frequências e questionário de avaliação de reação extraídos da instituição. Os dados consolidados demonstram que o público selecionado conhece e aplica as normas de segurança industrial e que os conceitos adquiridos durante o CBSP são prementes na prevenção de riscos e acidentes nas unidades petrolíferas. Concluiu-se que a educação se caracteriza por ser um instrumento de associação teórico-prática através de informações que possam intervir na realidade e promover mudanças de atitudes cotidianas, levando a novas práticas na construção da cidadania.

Palavras-chave:  Aprendizagem; Ensino; Indústria Petrolífera; Segurança Industrial.

 

 

ABSTRACT

This research has analyzed the teaching-learning process from the industrial safety capacity courses students, specifically the Platform Safety Basic Course – CBSP, which is developed by Sampling Planejamento e Assessoria de Segurança Industrial LTDA training and consultancy company. The course is required for the activities in the Campos Oilfield oil and gas industry, located in the city of Macae- Rio de Janeiro-Brazil. The aim of the research is to evaluate  in what way  the knowledge acquired is related with the safety practice in the off shore work environment. The type of the research was based in the case study developed by “in locu” observation and  interview questionnaires from Sampling students. And, as an instrument data collect, used a document analysis from the theoretical tests, practical exercises evidence forms, notes maps, frequency controls and from the reaction evaluation questionnaire, all extracted from the institution. The consolidated data demonstrate that the selected community knows and applies the industrial safety standards and that the concepts acquired during the CBSP are important in the oil risks and accidents prevention. It follows that education is characterized to be a theoretical-practical association instrument through the information that can intervene in reality and promotes daily attitudes changing, leading to new practices to build citizenship.

Key-words: Industrial Safety; Learning; Oil Industry; Teaching.

 

 

RESUMEN

Esta investigación analizo los conceptos sobre el proceso de Enseñanza – Aprendizaje de los alumnos del curso de capacitación en Seguridad Industrial, especificamente en el Curso Básico de Seguridad de Plataforma – CBSP, realizado por la empresa de entrenamientos y consultoria Sampling Planeamientos y Asesoria de Seguridad Industrial limitada, obligatorio para las actividades desarrolladas en la industria del petroleo y gás en la base de campos, situada en la ciudad de Macaé – Rio de Janeiro – Brasil, la idea central es analizar en que medida los conocimientos adquiridos están relacionados con la práctica segura en el ambiente de trabajo “offshore”. El tipo de investigación se baso en el estudio de caso por médio de la observación in locu y de cuestionarios de entrevistas con alumnos de “sampling” y, como instrumentos para la recolección de datos, se busco el análisis documental de las pruebas teóricas, fichas de evidencias de los ejercicios prácticos, mapas de notas, control de asistencia, cuestionarios de evualuación extraídos de la institución. Los datos consolidados demuestran que el público seleccionado conoce y aplica las normas de seguridad industrial y que los conceptos adquiridos durante el cbsp son ideales para evitar riesgos y accidentes en las unidades petroliferas. Se concluye que la educación se caracteriza por ser un instrumento de asociación teórico – práctico a traves de las informaciones que puedan intervenir en la realidad y promover los cambios de actitudes cotidianas, llevando a nuevas prácticas en la construcción de la ciudadania.

Palavras-claves: Aprendizaje. Enseñanza. Indústria del Petróleo. Seguridad Industrial.

 

I- INTRODUÇÃO

A estreita relação entre ensino e aprendizagem traz a relevância deste estudo para as questões educacionais em segurança industrial, pois os acidentes de trabalho nas plataformas petrolíferas podem afetar a segurança e a saúde do trabalhador offshore.

A salvaguarda da vida humana no mar é uma das condições necessárias à qualidade dos cursos de segurança industrial para a área de petróleo e gás natural. É preciso, então, planejar, executar, controlar e avaliar de modo a garantir a preservação da vida e do meio ambiente nas atividades offshore, oferecendo condições apropriadas que diminuam ou evitem o risco de acidentes dos trabalhadores da indústria petrolífera.

Em face destas discussões, fundamenta-se a necessidade de estudar a relação ensino-aprendizagem de uma população previamente selecionada­ – alunos do Curso Básico de Segurança de Plataforma, o CBSP, que trabalham na indústria de petróleo e gás em regime offshore – sobre os conhecimentos adquiridos e a aplicabilidade prática no trabalho durante o período em que estão embarcados.

 

 

 

1.1         Questão central

  • Em que medida o processo ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP realizado pela Sampling está relacionado com uma prática segura no ambiente de trabalho, a partir dos conhecimentos adquiridos durante o CBSP para os trabalhadores que atuam em regime offshore?

 

1.2         A salvaguarda da vida humana no mar

A utilização das águas, sejam marítimas, lacustres ou fluviais, remete às primeiras civilizações, pois essas se constituem meios excelentes para o transporte de cargas e pessoas. Todavia, os elementos naturais e condições adversas encontradas nesses meios tornam essa atividade extremamente perigosa. O histórico de navegação mundial através dos tempos revela que o mar ceifou muitas vidas e no passado qualquer emergência significava morte. Até os dias de hoje, ainda se perdem vidas, mas a grande maioria por inobservância das regras de segurança estabelecidas. (SAMPLING, 2013).

Em 15 de abril de 1912, o Titanic afundou matando 1.475 pessoas. Uma análise das possíveis causas desse acidente constatou que um dos principais fatores estava na qualidade da chapa utilizada na sua construção. A partir daí, a legislação foi se aprimorando para garantir a salvaguarda do homem no mar.

Portanto, sendo a navegação uma das atividades humanas mais importantes e, na mesma proporção, muito perigosa, para melhorar o desempenho de segurança e proteção ambiental na indústria marítima, foram desenvolvidas regulamentações internacionais que são seguidas pelos países.

No nosso país, as regras de salvaguarda da vida humana no mar são de responsabilidade da Marinha do Brasil, que as desenvolve tomando como requisito mínimo as convenções e normas internacionais ratificadas pelo Brasil. As principais regras nacionais que versam sobre esse assunto estão nas Normas da Autoridade Marítima – NORMAM. A salvaguarda da vida humana no mar e a da navegação não é tarefa apenas da Marinha do Brasil, mas de todos que, direta ou indiretamente, estejam envolvidos com a navegação. (BARROS, 2001).

Neste contexto, compete à Marinha do Brasil, através da NORMAM 24 (2012), estabelecer normas para o credenciamento de instituições, para ministrar cursos relativos à salvaguarda da vida humana no mar contribuindo para o cumprimento das atribuições legais da Autoridade Marítima Brasileira (AMB).

De acordo com a NORMAM 24 (2012), conforme definido pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil, o Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP tem como propósito geral qualificar o aluno não aquaviário para as tarefas a bordo de unidades offshore, dando-lhe conhecimentos básicos sobre medidas de segurança. Insta salientar que estas recomendações se baseiam nos itens 5.2 e 5.3 e Tabelas 5.3.1 e 5.3.5 da Resolução A.891(21), criada como referência à divisão de categorias, responsabilidades e treinamentos da classe marítima não aquaviária, específica para trabalhadores nas unidades marítimas offshore. Tal resolução da Organização Marítima Internacional, datada de 25/11/1999, é um complemento ao que é exigido pelo Código STCW-1978, bem como à aplicação da Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (LESTA).

Ao tratarmos de segurança no mar, é importante partirmos da premissa de que há um perigo associado à navegação, derivado do fato de que essa se desenvolve em um meio não propício à vida humana; portanto, este tema é de extrema importância.

Segundo Barros (2001), a segurança no mar pode ser definida com uma frase curta, porém extremamente abrangente: “segurança é, simplesmente, levar tudo a bom termo, fazendo tudo certo e sabendo tudo que deva ser sabido”.

1.3         O processo ensino-aprendizagem

Este estudo discorre sobre concepções do processo ensino-aprendizagem do Curso de Capacitação em Segurança Industrial, especificamente o Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP, desenvolvido pela empresa de treinamento e consultoria Sampling Planejamento e Assessoria de Segurança Industrial LTDA, obrigatório para as atividades desenvolvidas na Indústria de Petróleo e Gás realizadas em unidades marítimas – offshore – localizadas na Bacia de Campos, município de Macaé – RJ/ BR.

A Sampling (2013) vê na capacitação em segurança industrial mais que um segmento de mercado, mas uma responsabilidade social. Por isso, investe pesado para oferecer um treinamento de qualidade que valorize a vida de seus treinandos.

Insta salientar que o profissional, ao embarcar em qualquer unidade marítima, deve rapidamente familiarizar-se com os meios, regras e procedimentos de emergência de bordo, para que a tripulação possa trabalhar tendo em mente um mesmo objetivo ao lidar com as diversas condições que se apresentam. Toda pessoa embarcada deve se interessar e deter conhecimento atualizado dos assuntos ligados aos conceitos de salvatagem, adquiridos no Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP, tais como às regras e procedimentos de segurança, técnicas de sobrevivência e equipamento que contribuem para a garantia de sua integridade física e psicológica no mar.

Destarte, no contexto da capacitação em segurança industrial, o desafio foi analisar o processo ensino-aprendizagem desenvolvido pela Sampling. Portanto, almejou-se compreender em que medida esta relação se consolida para uma prática segura no ambiente de trabalho, a partir dos conhecimentos adquiridos durante o Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP para os trabalhadores que atuam em regime offshore.

1.4    A educação e o processo ensino-aprendizagem do adulto: desvelando o tema

Para se realizar um processo de educação, é preciso que se crie um conceito de interesse geral que se fortaleça à medida que a cidadania e a dimensão da educação para uma cidadania ativa são assumidas como aspectos determinantes na multiplicação da prática participativa nos processos decisivos de interesse público.

Segundo Loureiro et al (2002), mudanças de paradigma requerem mudanças de atitude. Assim, o processo de participação só se concretiza através do conhecimento de sua causa. O acesso à informação, especialmente de grupos sociais mais excluídos, pode promover as mudanças comportamentais necessárias para possibilitar uma atuação mais orientada para o interesse geral. Cidadãos bem informados, ao se assumirem enquanto atores relevantes, têm mais condições de pressionar autoridades, assim como de se motivar para ações de corresponsabilidade e participação comunitária. (JACOBI, 1999).

Essa possibilidade também aparece quando o processo de educar passa a ser uma interação entre docente e aluno, conforme Freire (1987, p.68):

“O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo como o educando que ao ser educado, também educa. Assim ambos assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os argumentos de autoridade já não valem”.

Segundo Freire (1989), o objeto da aprendizagem são conteúdos significativos, relacionados com os contextos vivenciais dos educandos. A apreensão de novos conhecimentos é facilitada pela relação comunicacional dialógica que se estabelece entre todos os participantes do processo.

Para Freire (2002), desenvolver a práxis educativa, através da dialogicidade como processo de reflexão e ação na construção do conhecimento, é fundamental para intervir na realidade e promover a mudança levando à cidadania. Tal perspectiva implica um movimento dialético entre o desvelamento crítico da realidade e a ação social transformadora, segundo o princípio de que os seres humanos se educam reciprocamente e são mediados pelo mundo.

Assim, a educação para ser efetiva não pode ser algo verticalizado do tipo educador-educando, mas sim reflexiva, construída. Como afirmou Freire (1983), deste processo advém um conhecimento que é crítico, porque foi obtido de uma forma autenticamente reflexiva e implica um ato constante de desvelar a realidade, posicionando-se nela. O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos.

Destarte, o processo de transformação da capacitação de caráter unicamente finalista para uma noção mais abrangente de aprendizagem recebeu, de autores como Paulo Freire e Malcom Knoweles, contribuições importantes para o aprofundamento das diversas formas de aprendizagem, com a quebra de paradigmas na educação e, sobretudo, no tocante aos fundamentos da andragogia.

A palavra “andragogia” vem do grego “andros”, que significa adulto, e “agogôs”, que denota educar. Essa ciência tem por objetivo ajudar no desenvolvimento e possui características específicas.

Insta salientar que a andragogia é definida como a arte e ciência de orientar adultos para o processo ensino-aprendizagem; logo, um componente provocador de mudanças, princípios, metodologias e didática. (PACHECO, 2006).

Através da andragogia, adultos são motivados a aprender à medida em que experimentam que suas necessidades e interesses são satisfeitos. A aprendizagem está centrada na vida; por isso os programas devem ser voltados para situações da vida e não da disciplina.

A andragogia baseia-se em princípios que estão intimamente ligados com o construtivismo e o interacionismo, tendo em vista que o adulto vai construindo seu saber por meio das motivações internas e externas.

Segundo Gil (2009), os princípios que fundamentam a andragogia, baseados no enfoque construtivista e na abordagem sociointeracionista, ressaltam a importância das questões pessoais (desejos, interesses e história pessoal) e das sociais (contexto histórico-cultural) para a relação ensino-aprendizagem.

Para melhor compreensão, exemplificamos abaixo os princípios, segundo Gil (2009).

1)    Aprendente: aquele que é autodirigido, o que significa que é responsável pela sua aprendizagem e delimita o seu percurso educacional.

2)    Necessidade do conhecimento: os adultos sabem a real necessidade do conhecimento para eles próprios.

3)    Motivação para aprender: o adulto leva em consideração as motivações externas (melhor trabalho, salário), mas também valoriza as motivações internas (vontade de crescimento, autoestima, reconhecimento, autoconfiança e atualização das potencialidades pessoais).

4)    Experiência: o processo educativo baseia-se nas muitas experiências trazidas pelo aluno, não somente o professor, e os recursos didático-pedagógicos garantem o interesse pela aprendizagem.

5)    Prontidão para o aprendizado: o adulto se torna disponível para aprender quando pretende melhorar seu desempenho em relação a determinado aspecto de sua vida. Assim, sua seleção de aprendizagem é natural e realista.

Sobre o enfoque construtivista, segundo Piaget apud Lima (2000), o conhecimento não consiste em copiar o real, mas em agir sobre ele e transformá-lo, de maneira a compreendê-lo em função dos sistemas de transformação aos quais estão ligadas essas ações. Assim, cada pessoa constrói ativamente seu modelo de mundo a partir da interação de suas condições com o ambiente que a rodeia.

Portanto, alguns especialistas da educação costumam considerar o construtivismo como um dos modelos que melhor fundamenta o ensino. (GOULART, 2001).

Não obstante a importância do construtivismo para a construção do conhecimento, Vygotsky desenvolveu um estudo sobre o conhecimento resultante da relação do organismo com o meio em que está inserido, propondo uma abordagem abrangente capaz de descrever e explicar as funções psicológicas superiores através do interacionismo.

De acordo com Vygotsky apud Soto (2005), a abordagem sociointeracionista coloca a ideia de que o homem pertence a um complexo sistema social em que ações, atitudes e comportamentos são processados, gerando um conhecimento que continua em evolução, recebendo os feedbacks que serão novamente processados e, assim, perpetuando o aprendizado. Nesta abordagem, o desenvolvimento humano se dá nas trocas entre parceiros sociais, por meio de processo, de interação e mediação.

Mesmo que essas teorias, construtivismo e sociointeracionismo, estejam voltadas para a aprendizagem das crianças, muitos dos conceitos, na essência, podem ser utilizados com os adultos, pois a interação necessária ao aprendizado do adulto requer, sobretudo, a imaginação e as experiências.

Portanto, a experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender. Por isso, o centro da metodologia da educação do adulto é a análise das experiências. Os adultos têm necessidades de serem autodirigidos e, neste contexto, o papel do professor é engajar-se no processo de mútua investigação com os alunos e não apenas transmitir e avaliar. Neste contexto, a associação teórico-prática é fundamental para a construção do conhecimento a ser adquirido, sobretudo no que tange às experiências voltadas para a área de segurança industrial, impondo além do conhecimento técnico uma postura prevencionista e o desenvolvimento da autonomia, interação, trabalho em equipe e o reconhecimento da liderança. Segundo Fiorelli (2001), o comportamento resulta da interação entre indivíduo e o ambiente.

Para Soto (2005, p. 9): “A educação faz com que a pessoa seja fácil de dirigir, mas difícil de controlar; fácil de governar, porém, impossível de escravizar”. Destarte, compreendemos que a capacidade para exercer a liderança essencial é fundamental a todo ser humano; logo, o respeito deve prevalecer no contexto do ensino-aprendizagem.

Assim, a educação para ser efetiva não pode ser algo verticalizado do tipo educador-educando, mas sim reflexiva, construída. Como afirmou Freire (1983), deste processo advém um conhecimento que é crítico, porque foi obtido de uma forma autenticamente reflexiva e implica um ato constante de desvelar a realidade, posicionando-se nela. O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos.

O desafio existente é formular vínculos viáveis para a implementação de melhoramentos na educação que sejam tanto técnicos quanto socialmente eficientes. O fortalecimento político-educacional é uma condição relevante, porém não suficiente para consolidar os melhoramentos.

Fundamentando esse processo, segundo Jacobi (1999), a necessidade do fortalecimento do contexto político-educacional é inquestionável. Para que isso ocorra, torna-se essencial gerar referenciais, para os atores interessados, a respeito da disponibilidade, do acesso e dos custos dos serviços, permitindo-lhes estabelecer vários vínculos com a percepção dos problemas educacionais no seu entorno mais imediato – escola, cidade e país.

Segundo Loureiro et al (2002), a educação busca a implantação de novas formas de relacionamento dos homens com o conhecimento, dos homens com o mundo do trabalho, mas, principalmente, dos homens com os demais homens.

A aprendizagem deve começar com ação-reflexão-ação. Destarte, começar em casa, atingir a rua e a praça, englobar o bairro, abranger a cidade, ultrapassar as periferias, repensar o destino dos bolsões de pobreza, penetrar na intimidade dos espaços opressores, atingir as peculiaridades e diversidades regionais para integrar os espaços nacionais da educação.

A partir da reflexão, surge a necessidade de avaliar para uma tomada de decisão. Avaliar é emitir juízos de valor, juízos éticos, tanto para quem avalia quanto para quem é avaliado.

Ribeiro (1990, p. 47) diz que:

“Ao ser considerada a tarefa de formular juízos ou valorações como característica essencial da avaliação, o sujeito que avalia defronta-se com a necessidade de definir claramente os critérios com os quais se deve proceder à realização de tais juízos ou valorações. Tais critérios ou normas de avaliação devem constituir-se em pontos de referência que tornarão possível a qualificação daquilo que se propõe avaliar”.

Para Luckesi (1986), a avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão.

Assim, percebemos uma ligação direta entre aprendizagem, reflexão e avaliação. A aprendizagem é a aquisição da capacidade de explicar, de aprender e compreender, de enfrentar, criticamente, situações novas. (D’AMBRÓSIO, 1999). Álvarez Méndez (2002) considera que apenas quando asseguramos a aprendizagem também podemos assegurar a avaliação.

1.5     Justificativa

O treinamento em segurança industrial para a área de petróleo e gás das plataformas no Brasil e no mundo é de suma importância para os trabalhadores que atuam em regime offshore e seu aperfeiçoamento consiste em um grande desafio. No âmbito desta atividade, podem ser identificados dois níveis de ação: o primeiro com foco regulatório e fiscalizador, sobretudo na questão das competências legais de manter a segurança industrial das unidades marítimas, quer sejam navios, plataformas, embarcações etc.; o segundo, mais específico, com foco no planejamento e execução da capacitação dos trabalhadores para atuarem com segurança a bordo de unidades petrolíferas.

No Brasil, a atividade regulatória e fiscalizadora das unidades de petróleo, no que tange à capacitação em segurança da embarcação e da navegação, é exercida pela Marinha do Brasil. Cabe à Marinha, através da NORMAN 24 (Normas da Autoridade Marítima), estabelecer normas para o credenciamento de instituições para ministrar cursos relativos à salvaguarda da vida humana no mar e à segurança e proteção de navios e instalações marítimas contribuindo para o cumprimento das atribuições legais da Autoridade Marítima Brasileira. Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego – MTE o controle e a fiscalização na saúde e segurança do trabalho e ao Conselho Municipal de Educação – CME o registro das instituições de cursos livres e profissionalizantes com respectivos projetos pedagógicos.

A capacitação em segurança industrial das atividades offshore tem por objetivo minimizar os riscos inerentes à indústria petrolífera, prevenindo acidentes de trabalho, sendo essa uma área multidisciplinar que requer uma gestão dos processos produtivos. Os principais riscos na indústria estão associados aos acidentes, os quais podem ter um envolvimento direto com a vida humana e com impacto no meio ambiente, prejudicando trabalhadores, famílias, regiões inteiras, para além da própria empresa na qual ocorrem os sinistros.

Os estudos na literatura sobre o Brasil versam, principalmente, sobre aspectos de segurança em geral, com foco em questões técnicas acerca da investigação e prevenção de acidentes, ao invés da preocupação com a qualidade do ensino teórico e prático referentes à execução didático-pedagógica dos cursos de segurança industrial. Portanto, há uma lacuna referente a estudos sobre questões fiscalizatórias com foco em ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP.

Dada a importância da capacitação em segurança industrial para a área de petróleo e gás natural no país e, consequentemente, a obrigatoriedade do Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP para todo trabalhador no desempenho das atividades offshore, independentemente de sua área de atuação, um desafio para a relevância desta pesquisa é constituído.

Portanto, nosso desafio, no contexto da capacitação em segurança industrial, foi analisar a relação ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma desenvolvido pela empresa Sampling, visando conhecer se os preceitos da segurança no mar como requisitos essenciais para o enfrentamento, com êxito, de eventuais emergências ou dificuldades na singradura foram aplicados efetivamente.

1.6     Objetivos

1.6.1 Geral

Analisar o processo ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP realizado pela Sampling, no sentido da relação para uma prática segura no ambiente de trabalho, a partir dos conhecimentos adquiridos durante o CBSP para os trabalhadores que atuam em regime offshore.

1.6.2 Específicos

  • Verificar documentos e bibliografias de referência, visando identificar informações factuais com relação ao ensino-aprendizagem na área de segurança industrial;
  • Identificar o nível de conhecimento do público alvo sobre a importância da relação ensino-aprendizagem, no que tange desde a execução didático-pedagógica à infraestrutura e logística do curso CBSP;
  • Dimensionar a percepção do público alvo com os recursos instrucionais ora investigados, visando associar teoria-prática e a relação ensino-aprendizagem;
  • Avaliar os aspectos teóricos, práticos e metodológicos do curso CBSP e suas relações interdependentes com o processo ensino-aprendizagem;
  • Averiguar o conhecimento técnico dos alunos sobre as práticas de segurança nas atividades offshore.

II- MATERIAIS E MÉTODOS

2.1     Tipo de pesquisa

Quanto ao método utilizado para a realização da pesquisa, foi escolhido o método dedutivo, caracterizado pela construção lógica a fim de chegar a uma conclusão. De acordo com Gil (2009), é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular: parte de princípios reconhecidos como verdadeiros e possibilita chegar a conclusões formais, em virtude de sua lógica.

Quanto aos objetivos pretendidos, a pesquisa foi classificada como descritiva, tendo por base a atuação prática, em que os fatos foram observados, registrados, analisados e interpretados. Segundo Sampieri; Collado; Lucio (2006) na pesquisa descritiva o objetivo é descrever situações e acontecimentos manifestados sobre determinado fenômeno.

Quanto ao momento de coleta de dados, o estudo foi realizado de forma transversal, levando em consideração que os dados foram coletados em um único momento. Ainda de acordo com Sampieri; Collado; Lucio (2006), na pesquisa transversal o objetivo é descrever variáveis e analisar sua incidência em dado momento.

Quanto à manipulação das variáveis, a pesquisa teve por base o estudo não-experimental. Segundo Sampieri; Collado; Lucio (2006), na pesquisa não-experimental não há manipulação das variáveis. Os fenômenos são observados em seu modo natural e depois são analisados.

Quanto aos procedimentos de coleta e análise de dados, as pesquisas utilizadas neste estudo foram classificadas em bibliográfica, documental e estudo de caso, propondo um enfoque quali-quantitativo. De acordo com Gil (2009), o estudo de caso é um estudo empírico que tem como foco investigar um fenômeno atual dentro do seu contexto real.

A opção pelo estudo de caso, como tipo da pesquisa, está fundada em Yin (2001), quando este afirma que tal tipo de pesquisa se adapta à investigação em educação; quando o investigador é confrontado com situações complexas e procura respostas para o “como?” e o “por quê?; quando procura encontrar interações entre fatores relevantes próprios dessa entidade; quando o objetivo é descrever ou analisar o fenômeno a que se acede diretamente, de uma forma profunda e global, e quando o investigador  pretende apreender a dinâmica do fenômeno: no caso da pesquisa em pauta, o processo de ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma para a Indústria  de Petróleo e Gás – Bacia de Campos, na empresa de treinamento e consultoria Sampling Planejamento e Assessoria de Segurança Industrial LTDA. Essa foi selecionada por ser precursora, em Macaé e região, dos cursos de segurança industrial e por possuir equipamentos necessários para as práticas de salvatagem.

É um estudo empírico que teve como foco investigar um fenômeno atual dentro do seu contexto real, conforme supracitado, o que corresponde também ao postulado por Gil (2009).

A investigação do processo ensino-aprendizagem foi desenvolvida, num primeiro momento, por meio de pesquisa bibliográfica e análise documental.

A pesquisa bibliográfica foi realizada através de um levantamento da literatura já publicada referente ao assunto, por meio de livros, periódicos, dissertações, teses e leis.

Na análise documental, os documentos analisados foram fichas de avaliações, controle de grau e frequência dos alunos e, finalmente, a análise e interpretação sistemática dos dados. Foram analisados, também, provas de natureza teórica e fichas de evidência dos exercícios práticos dos alunos, mapas de nota e controles de frequência, bem como as fichas de avaliação de reação preenchidas pelo público alvo em relação ao desempenho pedagógico, administrativo e logístico da instituição na execução do curso CBSP, visando associar a metodologia utilizada à relação ensino-aprendizagem.

Por fim, o estudo de caso foi dividido em três tipos de análises: 1) históricos organizacionais, através da análise da instituição de ensino denominada SAMPLING; 2) observacionais, ligados à pesquisa quali-quantitativa, utilizando em alta escala a observação dos dados; 3) histórias de vida, realizada pela avaliação de dados coletados em documentos registrados por meio de questionário voltado para as práticas seguras no ambiente de trabalho offshore, com alunos do curso CBSP.

O estudo de caso teve como objetivo descobrir a relação do público alvo com os recursos instrucionais ora investigados. Lüdke e André (1986) consideram que o estudo de caso visa à descoberta. Mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos, deve se manter constantemente atento a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo.

Foram levantados fatores em âmbito social, cultural e profissional relacionados com a questão da prática segura nas atividades offshore.

2.2      Delimitação e alcance

Escolheu-se para realização desta pesquisa a empresa de treinamento e consultoria Sampling Planejamento e Assessoria de Segurança Industrial LTDA, por ser precursora em Macaé e região dos cursos de segurança industrial, incluindo o Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP.

A pesquisa na Sampling teve início em 01 de setembro de 2014 por um período de duração de 03 meses, sendo concluída em 30 de novembro do referido ano.

Insta salientar que a Sampling é uma das únicas empresas do país que possui Centros de Treinamento próprios com todos os equipamentos necessários para as práticas de salvatagem, propiciando mais efetiva a relação ensino-aprendizagem com a prática dos alunos. É relevante ainda ressaltar que esta empresa dispõe de procedimentos sustentáveis, como o uso de gás natural e o reuso da água nos exercícios de combate a incêndio, protegendo e preservando o meio ambiente.

2.3         População e amostra

A amostra selecionada para a pesquisa com enfoque quali-quantitativo foi de 158 pessoas e levou em consideração a população de 261 alunos, conforme a fórmula estatística demonstrada no quadro a seguir:

q1

Onde n = tamanho da amostra; n’ = tamanho da amostra sem ajuste; e N = tamanho da população.

O público alvo selecionado para o estudo foi composto por 158 (cento e cinquenta e oito) alunos, sendo 71 autônomos, 57 colaboradores de empresas multinacionais e 30 empregados da Petrobras, matriculados nas turmas de CBSP, compreendendo os meses de setembro, outubro e novembro de 2014.

 

2.4                 Instrumentos de coleta de dados

A pesquisa bibliográfica se apoiou nas publicações impressas e eletrônicas, tais como livros, leis e trabalhos acadêmicos que abordam a temática do estudo.

A pesquisa documental teve como fonte provas teóricas, fichas de evidência dos exercícios práticos, mapas de nota, controles de frequência e questionário de avaliação de reação dos alunos extraídos da instituição.

O estudo de caso foi realizado por meio da observação in locu e de questionários de entrevistas com alunos da Sampling.

Os questionários foram direcionados ao público alvo, em setembro de 2014, em uma sala de aula cedida na Sampling, com uma palestra de abertura, em que foi explicitado o objetivo da pesquisa. Não houve interlocução sobre os questionamentos, contudo ficou claro à população alvo que haveria o retorno da abordagem após a conclusão das referidas análises.

O questionário fundamentou-se em perguntas básicas e teve como finalidade analisar e obter informações a respeito da percepção da população sobre o processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos, conceitos teóricos, práticas de sobrevivência e a aplicabilidade das normas relativas ao Curso Básico de Segurança de Plataforma. Buscou-se também identificar a existência de ações voltadas para práticas seguras no ambiente de trabalho offshore na visão dos entrevistados.

O questionário foi composto de 10 (dez) questões, em que nas 03 (três) primeiras buscava-se entender o conceito da população alvo sobre a segurança industrial em unidades offshore; a pergunta 04 (quatro) dizia respeito à participação das empresas como fomentadoras de práticas de segurança, meio ambiente e saúde nas atividades offshore; as perguntas de 05 (cinco) a 07 (sete) estavam relacionadas à participação do público alvo nos processos teórico-práticos de saúde, meio ambiente e segurança industrial adquiridos com o CBSP; as questões 08 (oito) e 09 (nove) discutiram a percepção do público alvo sobre o conceito de desenvolvimento educacional e sua importância na qualificação para o mercado de trabalho; e, por fim, a pergunta 10 (dez) tratava da proposta de reflexão acerca de programas e ações de reciclagem como multiplicadores da segurança do trabalho nas unidades offshore.

De acordo com Parasuraman (1991), um questionário pode ser entendido a partir de um conjunto de questões elaboradas para gerar os dados necessários a fim de se atingir os objetivos de um projeto de pesquisa.

Insta salientar que o questionário é um instrumento desenvolvido cientificamente, composto de um conjunto de perguntas ordenadas de acordo com um critério predeterminado, que deve ser respondido sem a presença do entrevistador (MARCONI; LAKATOS, 1999, p.100) e que tem por objetivo coletar dados de um grupo de respondentes.

 

III- RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1      Análise dos resultados e discussões

De acordo com a seleção da população alvo, levou-se em consideração três grupos distintos de pessoas, facilitando a análise da percepção destas e suas correlações, a saber:

1-    Funcionários da Petrobras;

2-    Trabalhadores de demais empresas multinacionais;

3-    Alunos autônomos, ou seja, os que financiam diretamente seu curso.

Segundo Gil (2009), é importante a escolha de indivíduos selecionados com base em certas características, pois mostra-se mais adequada para a obtenção de resultados.

Em geral, as pesquisas são realizadas por amostras. Cabe ressaltar, ainda, que objetivando resguardar a cientificidade do estudo e as condições para sua comprovação, é necessário ter uma amostra representativa do universo.

Insta salientar que a amostra desta pesquisa com enfoque quali-quantitativo determinou-se a partir da aplicação de uma fórmula estatística discorrida no item 2.3, que levou em consideração o universo e a amostra.

O público alvo selecionado foi composto por 158 alunos do CBSP, sendo 30 da Petrobras, 57 de Multinacionais e 71 Autônomos.

A seguir, nos gráficos 1 e 2, as análises do público alvo pesquisado.

O gráfico abaixo demonstra o quantitativo de alunos do CBSP referente ao período pesquisado: os meses de setembro, outubro e novembro de 2014. A divisão foi feita por grupo analisado de alunos, sendo: 1- empregados da Petrobras; 2- trabalhadores de empresas multinacionais; 3- autônomos.

Percebe-se que o mês de setembro apresentou um grupo menor estudando, perfazendo um total de 42 alunos matriculados.

Em outubro, este número cresceu um pouco, em relação ao mês anterior, alcançando o quantitativo de 59 alunos, sendo que a maior entrada foi o grupo de empregados da Petrobras.

Em novembro, o número de matriculados basicamente se manteve, totalizando 57 alunos.

A diversidade de alunos ocorre devido à obrigatoriedade do CBSP para as pessoas que trabalham ou que querem trabalhar na indústria petrolífera em regime embarcado. O mercado de petróleo é um mercado competitivo que requer qualificação profissional para fazer parte dele. Segundo Neiva (2001), com a descoberta do petróleo, o homem saltou para uma nova era: o mundo industrializado, que trouxe como uma das principais consequências a necessidade de qualificação para o trabalho.

 q2

De acordo com o gráfico 2, o público alvo baseou-se na população de 261 matriculados na Sampling, para o período de setembro a novembro de 2014, sendo a amostra quantificada em 158 alunos do CBSP. A partir desta escolha, iniciaram-se os estudos bibliográficos e documentais pertinentes ao Curso Básico de Segurança de Plataforma. Segundo Caulley (1981), a primeira fase, a análise documental e bibliográfica, é uma técnica valiosa, já que isso permite identificar informações factuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse.

Destarte, destes 158 alunos, 47 foram selecionados randomicamente para participarem do estudo de caso realizado.

 q3

O gráfico 3 apresenta um consolidado da percepção dos 158 alunos do CBSP quanto ao processo ensino-aprendizagem. Percebe-se, a partir da análise dos instrumentos de avaliação, que a relação teoria e prática foi determinante para o alcance do resultado satisfatório pelos alunos, demonstrado na avaliação de reação através do grande índice de fichas considerando o curso de bom para excelente.

Na percepção dos alunos quanto à execução da aula os quesitos avaliados foram:

1-   Qualidade dos equipamentos no CTJG (Centro de Treinamento Jardim Guanabara). Neste centro, estão salas de aula e os equipamentos de Salvatagem, entre eles a piscina, a plataforma de salto, o bote salva-vidas com as respectivas palamentas, o helicóptero simulador na água, os EPIs (equipamentos de proteção individual), os EPCs (equipamentos de proteção coletiva) e etc.

2-   Qualidade dos equipamentos no CTS (Centro de Treinamento Sampling). Neste, estão salas de aula e os equipamentos para parte prática de primeiros socorros.

3-   Qualidade dos equipamentos no CTZEN (Centro de Treinamento ZEN). Este representa o centro de combate a incêndio. Há salas com equipamentos multimídia para as aulas teóricas e campo de treinamento para as aulas práticas de combate a incêndio, com todos os equipamentos e materiais necessários, entre eles o maracanã, a casa de fogo, o painel elétrico, EPIs, EPCs, mangueiras, extintores, bem como a casa de controle informatizada com o comando de liga e desliga de todos os obstáculos do centro de treinamento, evitando possíveis acidentes. Insta salientar que este campo de treinamento utiliza GNV para queima durante os exercícios práticos, sendo menos poluente que o óleo diesel, além de estar munido de equipamentos de segurança e sistema de reuso da água utilizada para combater o fogo.

4-   Material didático como apoio às aulas teóricas, entre eles slides, apostilas, filmes e etc.

5-   Instrutor e a qualidade do ensino, levando em consideração a didática, as técnicas e os procedimentos de ensino, o domínio do conteúdo através do conhecimento técnico, teórico e prático (nas aulas teóricas e práticas), a interação com o grupo, a clareza e objetividade e a administração do tempo na exposição das aulas.

Guimarães (2005) coloca que é necessário o exercício da práxis na educação, pois apenas a ação gera um ativismo sem profundidade, enquanto que a reflexão gera uma imobilidade que não cumprirá com a possibilidade transformadora da educação. Assim, a solução seria realizar um verdadeiro diálogo entre a atitude reflexiva com a ação da teoria e da prática, ou seja, o pensar com o fazer. Este processo fortalece o homem e o possibilita interferir na realidade.

 q4

O gráfico 4 apresenta o consolidado dos resultados de aprovação no CBSP referentes às notas das provas nas disciplinas cursadas. Neste contexto, o índice de reprovação foi ínfimo em relação aos aprovados com média igual ou superior a 6,0 (seis), na qual o valor máximo é 10,0

Assim, dos 158 alunos pesquisados neste período somente 02 ficaram reprovados nos conteúdos teóricos. Isto demonstra a relação ensino-aprendizagem que ocorre a partir dos conteúdos ministrados.

Outra observação é que 138 alunos alcançaram média entre 8,0 (oito) e 9,0 (nove), demonstrando abrangência na compreensão dos conteúdos apresentados.

Por fim, esta avaliação demonstra que a maioria dos alunos que atingiu a média entre 8,0 (oito) e 9,0 (nove) é composta pelo grupo de autônomos, ou seja, não necessariamente estão trabalhando na indústria petrolífera, entretanto buscaram o CBSP para uma oportunidade no mercado offshore levando em consideração a obrigatoriedade deste treinamento para o trabalho embarcado.

Segundo Viola e Leis (1991), o perfil multissetorial não significa uniformidade, indica uma pluralidade crescente de setores sociais que reconhecem a legitimidade da educação e a necessidade de incluí-la no planejamento do desenvolvimento nacional.

 q5

A seguir, o gráfico de 5 apresenta a etapa das discussões voltadas para o estudo de caso.

Destarte, do público alvo selecionado, 47 alunos foram selecionados randomicamente para participarem do estudo de caso realizado por meio de questionário de entrevista, a fim de consolidar em que medida os conhecimentos adquiridos durante o CBSP se relacionam a uma prática segura no ambiente de trabalho offshore.

O gráfico 5 representa a relação do público alvo selecionado para o questionário de entrevista com os conhecimentos adquiridos no CBSP e sua prática para um ambiente de trabalho offshore seguro.

Segundo Neiva (2001), o mundo industrializado trouxe como uma das principais consequências a necessidade de qualificação para o trabalho.

As 10 questões apresentadas acima foram distribuídas em 05 temas que versam sobre:

1-    Segurança industrial em unidades offshore (questões: 01, 02 e 03).

2-    Segurança como fomento empresarial (questão 04).

3-    Aplicabilidade teórico-prática dos conceitos aprendidos no CBSP (questões 05, 06 e 07).

4-    Conhecimento da qualificação para o desenvolvimento educacional (questões 08 e 09).

5-    Programas e ações de reciclagem (questão 10).

 q6

IV- CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atividade do setor petrolífero tem se desenvolvido bastante nos últimos anos e as perspectivas do pré-sal sugerem que este mercado deve continuar crescendo. Para a garantia de que a exploração e produção da indústria petrolífera ocorram de maneira controlada, em conformidade com as melhores práticas da indústria internacional visando à segurança operacional e à preservação ambiental, a fim de evitar que acidentes prejudiquem a vida humana e o meio ambiente, é de suma importância a capacitação em segurança industrial para os trabalhadores a bordo das unidades marítimas.

Analisar em que medida o processo ensino-aprendizagem do Curso Básico de Segurança de Plataforma – CBSP para a indústria de petróleo e gás – Bacia de Campos está relacionado com uma prática segura no ambiente de trabalho offshore constituiu um importante desafio explorado nesta Tese.

No que tange às informações factuais, a partir da pesquisa bibliográfica e análise documental, concluiu-se que o conteúdo teórico e as atividades práticas do CBSP consolidam uma práxis educativa, proporcionando um conhecimento técnico que indica satisfatoriamente a relação ensino-aprendizagem na área de segurança industrial.

Após a análise dos documentos institucionais e os dos alunos, como fichas de avaliação e questionário de avaliação de reação, identificou-se que o público alvo pesquisado demonstrou um grau elevado de conhecimento sobre a importância do processo ensino-aprendizagem voltado para relação teoria e prática, enfatizando a qualidade do corpo técnico, conteúdo, metodologia, recursos instrucionais, material didático, equipamentos, aulas teóricas e práticas, exercícios de fixação da aprendizagem, infraestrutura e logística em geral.

De acordo com a análise voltada para a percepção do público alvo com os recursos instrucionais investigados, comprovou-se que há uma compreensão sobre a importância da segurança industrial explorada nas aulas teóricas e práticas do CBSP, demonstrada a partir da avaliação geral do treinamento em que os alunos consideram o curso excelente e evidenciam uma aprovação maciça acerca dos conhecimentos adquiridos.

Ainda com referência aos resultados, evidenciou-se que o processo ensino-aprendizagem dos conteúdos adquiridos com o CBSP foi consolidado através do comprometimento do público alvo com o diálogo, a informação, o comportamento e o conhecimento comprovados por meio da análise das provas, fichas práticas, mapas de nota e controles de frequência. Neste contexto, houve um processo de participação e frequência efetivos e um alto nível de desempenho e aprovação.

Com relação ao estudo de caso, realizou-se randomicamente a seleção do público alvo a partir da amostra. Destarte, dos 158 alunos pesquisados, 47 foram escolhidos para participar deste estudo, realizado por meio de questionário de entrevista, a fim de consolidar em que medida os conhecimentos técnicos adquiridos durante o CBSP se relacionam a uma prática segura no ambiente de trabalho offshore.

Os dados consolidados da entrevista demonstram que o público selecionado conhece e aplica as normas de segurança industrial e que os conceitos adquiridos durante o CBSP são prementes na prevenção de riscos e acidentesnas unidades petrolíferas.

Os resultados obtidos ressaltam que proposições de ações educacionais preventivas minimizam acidentes de trabalho. Desta forma, após análise, a pesquisa comprova que os conhecimentos adquiridos no CBSP promovem uma prática segura no ambiente para os trabalhadores offshore, gerando instrumentos que os orientam na identificação de problemas e os auxiliam na busca de soluções, integrando-os na ação preventiva e participação ativa voltada para as normas da segurança industrial.

Concluiu-se que a educação se caracteriza por ser um instrumento de associação teórico-prática, através de informações que possam intervir na realidade e promover mudanças de atitudes cotidianas, levando a novas práticas na construção da cidadania. Articular o exercício da cidadania ao enfrentamento da questão educativa não pressupõe apenas a conscientização dos deveres individuais determinados pela moral, mas, sobretudo, a conscientização dos direitos coletivos definidos pela negociação política, possibilitando a criação da nova cultura da gestão participativa.

 

 

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