Sustentabilidade

DESAFIOS ENCONTRADOS NA UTILIZAÇÃO DO GÁS NATURAL COMO FONTE ALTERNATIVA DE ENERGIA

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Barbara Lobo2; Danilo Souza¹; Fernanda Alves¹; Juliano Gomes¹; Lianne Welter¹; Roger Paizante¹;

1Engenheiro(a) de Petróleo, UNESA, Macaé, Rio de Janeiro

2Pós Dr.ª, UNTREF, Buenos Aires, Argentina

RESUMO

O presente artigo visa abordar a utilização do gás natural como fonte de energia mais limpa em comparação a outras fontes de energia consideradas mais prejudiciais ao meio ambiente. O fórum capacitará os inscritos com bagagem teórica sobre o assunto e tem por objetivo desenvolver um melhor entendimento a respeito da importância do aumento da representatividade do gás natural na matriz energética nacional brasileira.

Palavras-chave: energias alternativas; gás natural; matriz energética; meio ambiente

ABSTRACT

Thisarticleaimstobringuptheusageof natural gas as a cleanerenergysource in comparisontothoseconsidered more harmfultotheenvironment. The forumwillprovidetheparticipantswiththetheoreticalknowledgeonthis thread andwillfocusonallowing a betterunderstandingoftheimportanceofincreasingtheparticipationof natural gas in theBraziliannationalenergymatrix.

Keywords: alternativeenergy; energymatrix; environment; natural gas

 

1.  INTRODUÇÃO

Em tempos de sustentabilidade, a busca incansável por energias mais limpas tem garantido ao gás natural um espaço cada vez mais significativo nas matrizes energéticas brasileira e mundial. Entre os fatores essenciais, para a classificação do gás natural como fonte economicamente viável, estão a sua capacidade de prover estabilidade ao sistema elétrico, reduzindo o risco hidrológico por meio das usinas termelétricas, além dos benefícios ambientais frente a outros combustíveis fósseis.  As custas da falta de investimentos no setor elétrico no decorrer da década de 80, por muito tempo a autossuficiência energética brasileira baseou-se principalmente nas hidrelétricas e no aumento da produção de petróleo. Desta forma, o uso do gás natural emerge como um fator importante no aumento da oferta de energia, especialmente como combustível para as usinas termelétricas, que agora fazem uso do gás em substituição a outras frações do petróleo e à lenha.

1.1 JUSTIFICATIVA

O mundo passa por um momento bastante delicado, no qual preocupações com o desenvolvimento sustentável tem elevado o interesse dos países em investir em formas energéticas mais limpas. Neste cenário, o gás natural surge como um forte aliado, uma vez que atende a maioria dos requisitos para ser classificado como um componente sustentável das matrizes energéticas. O gás natural possui queima mais limpa e pode ser utilizado para diversas finalidades, entre elas a geração de energia elétrica em usinas termoelétricas.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral do presente artigo é problematizar o uso o gás natural no Brasil, levando em conta o cenário nacional atual. Para alcançar tal objetivos, os seguintes tópicos serão abordados.

1.2.2 Objetivos Específicos

  • Descrever a importância do gás natural perante o cenário econômico e energético nacional;
  • Apresentar as principais vantagens e desvantagens do uso do gás para a produção de energia elétrica;
  • Relacionar os principais desafios enfrentados pela indústria do gás natural no Brasil.

1.3 HIPÓTESE

A indústria do gás natural brasileira não possui infraestrutura adequada o que interfere negativamente na criação de novos mercados para o produto.

2.  O GÁS NATURAL NO BRASIL: BREVE HISTÓRICO E APLICAÇÕES

A globalização no Brasil atravessou uma série de fatores históricos e geográficos. Em meados dos anos de 1990 a globalização passou a oferecer um impacto maior sobre a economia brasileira. Esse processo, porém, não foi algo novo, e sim momentos históricos que têm evoluído gradativamente em praticamente todos os segmentos, entre eles o setor de energia.

Este setor em especial, depende inicialmente de uma distribuição geográfica distinta entre regiões que dispõem de recursos energéticos abundantes e exportáveis. Devido a um aumento na demanda por fontes de energia limpa, o mercado energético tem procurado identificar uma série de usos potencias e/ou atuais do gás natural. Nos países em desenvolvimento, o caminho a ser percorrido é longo e a indústria gasífera ainda não está perto de proporcionar todas as vantagens esperadas pela sociedade.

(SANTOS et al, 2002).

De um ponto de vista histórico, a participação do gás natural na matriz energética brasileira passou de 0,1% para 3,0% entre 1970 e 2000. No entanto, como pode ser verificado na figura 1, a expectativa de crescimento na demanda pela substância para fins energéticos era bem expressiva para os anos 2010, seguindo a meta estratégica do governo que objetiva viabilizar um maior aproveitamento do gás natural no país elevando o consumo de 3% para 12%.

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            Com o objetivo de regulamentar a comercialização do gás natural no Brasil, foram ditadas especificações através da Resolução17/87, emitida pelo Conselho Nacional do Petróleo em dezembro de 1987. Nada obstante, a Portaria 41, de 15 de abril de 1998, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), revogou essa resolução e aprovou o Regulamento Técnico ANP 001/98, que estabelece as normas atualmente em vigor que também são aplicadas para produção, transporte e distribuição.

Segundo Santos et al. (2002), um dos maiores problemas enfrentados pelo segmento de gás no Brasil é a falta de consumidores para movimentar economicamente e ganhar interesse de investidores. Será necessário que mercados consistentes e sustentáveis sejam consolidados e apresentem preços que remunerem todos os investimentos envolvidos. Entretanto, esses mercados não se encontram naturalmente presentes na maior parte dos países menos desenvolvidos, como o Brasil, pois verifica-se a existência de barreias culturais, tecnológicas e financeiras que dificultam o surgimento de tal demanda. Entre os obstáculos destaca-se a ausência de infraestrutura de transporte e distribuição.

3.  VANTAGENS DO USO DO GÁS NATURAL

O gás natural é um combustível fóssil encontrado na natureza, normalmente em reservatórios profundos no subsolo, podendo estar associado ou não ao petróleo. Originalmente inodoro e incolor e de queima mais limpa que os demais combustíveis, o gás natural é resultado da aglomeração de hidrocarbonetos gasosos, nas condições normais de pressão e temperatura, contendo, em maior porção, metano (CH4). Junto ao gás geralmente produz-se baixos teores de impurezas, como nitrogênio (N2), dióxido de carbono (CO2), água e compostos de enxofre (SANTOS et al, 2002).

Umas das principais vantagens do gás natural diz respeito ao efeito estufa, pois sua queima emite menor quantidade de CO2. Além de ser menos poluente, o gás não gera resíduos radioativos e tampouco exige reassentamento de populações ou obstrução de áreas produtivas, como é o caso das hidrelétricas. O gás também apresenta vantagens sobre o petróleo e o carvão já que possui uma queima mais limpa, quase isenta de contaminadores como óxidos de enxofre, partículas sólidas e outros produtos tóxicos. O gás natural também não precisa de transformações intermediárias para chegar ao consumidor final, porém requer investimentos em infraestrutura de transporte e distribuição.

Em relação à gasolina e querosene, o gás é menos inflamável, oferecendo menor risco de explosões, reforçando, dessa maneira, sua confiabilidade e segurança. Comparado ao GLP, que é composto basicamente de butano e propano, contata-se que o GLP é mais pesado que o ar e em caso de vazamento ele acumula-se podendo culminar em grandes explosões, ao passo que o gás natural tende a dispersa-se (SANTOS et al, 2002).

Existem vários caminhos para o uso do gás natural. A figura 2 mostra alguns desses potenciais.

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4.  DESAFIOS NA CADEIA DO GÁS NATURAL

Sucintamente, pode-se dizer que a indústria do gás natural na exploração e produção é igual à indústria do petróleo, porém no transporte e distribuição ela se assemelha mais à indústria de energia elétrica, onde é encontrada a maior dificuldade para o uso do mesmo.

A indústria do gás natural no mundo tem apresentado índices significativos de crescimento o que reforça a sua importância como energia alternativa, porém, o sistema do gás natural exige um investimento relativamente elevado para cada estágio. Em outras palavras, a cada 1 milhão de reais investido na fase de produção é preciso investir 2 milhões no sistema de transporte e 4 milhões na rede de distribuição. Este fator dificulta a emergência de novos consumidores no mercado brasileiro.

Não existe na sociedade brasileira um hábito em relação ao uso do gás natural como outra fonte de energia, como também são escassos políticas e programas coerentes. (COMAR et al 2006).

Alguns fatores tendem a atravancar a aplicação do gás natural na indústria e nas termelétricas para a geração de energia elétrica. De um lado está a inflamabilidade do gás, de outro, a operação a altas pressões que podem ultrapassar a marca de 30kgf/cm2. De acordo com dados disponibilizados pela própria Petrobrás, entre 1985 e 1992 cerca de 30% das anormalidades encontradas nas instalações industriais a gás natural foram provocados por falha de ordem mecânica ou material. Essas falhas vão desde defeitos em válvulas até corrosões. Falhas geralmente provocam vazamentos os quais são capazes de provocar incêndios, resultando em danos materiais e/ou humanas. É importante mencionar o fato de que apenas 9% dos acidentes foram causados por falha humana (GRIPPI, 2009).

De acordo com Vaz et al (2008), o maior impasse nos dias atuais para o aumento da oferta do gás no mercado está na logística de transporte. A política de preços no Brasil, devido à Bolívia, é um dos pontos mais restritivos, que resulta na opção por produtos derivados do petróleo para uso nas termelétricas.

O Brasil ainda deixa muito a desejar no que tange à infraestrutura de distribuição, entretanto, a captação dos mercados não tende a ser algo imediato. Na indústria, os principais fatores a ser considerados são: preço relativo; ganho de competitividade do produto final; exigências de controle ambiental sobre o processo produtivo; custo de conversão das instalações existentes; oferta de financiamentos para este tipo de investimento.

Os desafios não se resumem apenas à criação de mercados para o gás. Há ainda questões relacionadas à regulação da indústria do gás natural, ou seja, é necessário colocar em prática a lei do gás natural, que estabelece que os investimentos em transporte devem ocorrer a partir de um processo licitatório no qual o investidor é selecionado por meio do critério da menor tarifa exigida. (ALMEIDA, 2010)

As questões referentes ao uso do gás como supridor energético, novas tecnologias e a crescente preocupação ambiental justificam estudos relativos a esse tema, que se intensificam na medida crescente da evolução humana.

5.  CONCLUSÕES

            A elevação na oferta do gás natural no Brasil, decorrente da expansão da indústria petrolífera, tem levantado série de questionamentos relacionados à otimização do uso deste componente para reduzir os problemas atualmente enfrentados pelo setor enérgico, que até o momento, tem tipo como carro-chefe as usinas hidrelétricas. Além disso, por se tratar de uma opção menos poluente, busca-se com a utilização do gás diminuir os impactos causados pela emissão exacerbada de CO2 na atmosfera.   A possibilidade de utilização nas usinas termelétricas, bem como no setor industrial como um todo, posiciona o gás natural como um potente candidato à fonte de energia mais sustentável. Todavia, a ainda escassa logística de distribuição e transporte no país dificulta a criação de um mercado mais amplo para a indústria gasífera nacional.

Conclui-se que, para que o gás natural possa ser aproveitado em sua quase totalidade, investimentos precisam ser realizados visando a ampliação da demanda em diferentes regiões do país. A construção de mais gasodutos interligando o setor de produção ao consumidor final é mais que necessária neste sentido. Não menos importante, deve-se incentivar a adaptação dos diversos setores à esta forma alternativa de combustível, oferecendo assim um concorrente mais limpo e barato ao petróleo.

6.  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, E. D. A indústria de gás natural no Brasil: os desafios para o novo Governo.2010. Disponível em: https://infopetro.wordpress.com. Acesso em: 08/04/2016.

COMAR, V., TURDERA, E. M. V., COSTA, F. E. S. (2006) Avaliação Ambiental Estratégica para o gás natural: AAE/GN. Rio de Janeiro: Interciência; Dourados, MS: UEMS, p.323.

GRIPPI, S. (2009) O gás natural e a matriz energética nacional. Rio de Janeiro: Interciência, 104p.

SANTOS, E. M. DOS, ZAMALLOA, G. C., VILLANUEVA, L. D., FAGA, M. T. W. (2002) Gás Natural: estratégia para uma energia nova no Brasil. São Paulo: Annablume, Fapesp, Petrobras, p.352.

VAZ, C. E. M., MAIA, J.  L.  P., SANTOS,  W. G. (2008) Tecnologia da indústria do gás natural. 1. ed. São Paulo: Blucher, p.416.