Sustentabilidade

ENERGIA SOLAR À ÁREAS DE DIFÍCIL ACESSO

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Iury Souza¹; Hugo Antunes¹; Marcelo Dutra¹; Pedro Bragion¹; Marconi Dias¹; Bárbara Lobo2.

1Engenharia de Petróleo, Estácio de Sá, Macaé, Rio de Janeiro; 

2Pós Doutora, UNTREF, Buenos Aires – AR

RESUMO

Este artigo apresenta um “overview” sobre a situação da geração de energia elétrica no Brasil com o enfoque em se trazer modelos sustentáveis para suprir o abastecimento elétrico proveniente do sistema hidroelétrico brasileiro. Quantitativos sobre áreas que ainda sofrem sem o fornecimento de energia elétrica por concessionárias, dados e informações disponibilizadas no site do Governo Federal para futuros projetos e instalações, assim como um breve descritivo de como funciona e a forma de instalação de sistemas fotovoltaicos para geração de eletricidade em comunidades onde sistemas independentes seriam de mais fácil acesso e agilidade na instalação, mostrando a importância de projetos como esse e o incentivo do governo para que investidores nacionais ou internacionais explorem essa fonte energética em nosso território.

Palavras-chave: Desenvolvimento Sustentável; energia solar; sistemas fotovoltaicos; sustentabilidade energética.

ABSTRACT

Thisarticlepresentsan overview aboutthe status ofelectricitygeneration in BraziltofocusonbringingsustainablemodelstoincorporatetheelectricalsupplyfromtheBrazilianhydroelectric system. It presentsalsoquantitativeissuesfromareasthatarea still sufferingwithouttheutilitieselectricitysupply, data andinformationavailableonthe Federal Government´s website for future projectsandfacilities, as well as a briefdescriptionofhow it worksandhowtoinstallphotovoltaic systems for electricitygeneration in communitieswhereindependent systems wouldbeeasiertoaccessand a waybetterflexibility in installation, showingtheimportanceofsuchprojectsandthegovernment incentive for domesticorinternationalinvestorsexploitthisenergysource in ourterritory.

Keyword: Energy sustainability; Photovoltaic system; Solarenergy; Sustainabledevelopment;

1-INTRODUÇÃO

Tem-se que a maior fatia da energia  elétrica  produzida  no  Brasil  provem de sistemas onde a geração é feita através de usinas hidroelétricas,   disponibilizando para a comunidade interna uma energia renovável e, se tratando de sustentabilidade e preservação do meio ambiente em caráter global,  uma  energia  limpa.  Porém, tais sistemas hidroelétricos possuem   uma   certa   sazonalidade, porque tudo varia de acordo com os volumes hídricos dos principais rios e bacias do sistema, onde se encontram as principais fontes com potenciais geradores em grande escala. Se fazendo uso de diferentes fontes de energia elétrica, onde tais completem este regime sazonal, é uma solução bem interessante para o país, pois preserva recursos ambientais e econômicos.

A energia solar tem grande potencial de exploração, grande aproveitamento em praticamente todas as quatro estações do ano e volumes de produção inesgotáveis, onde painéis fotovoltaicos e sistemas para geração térmica podem ser usados. No Brasil, os índices de radiação solares em praticamente toda a extensão territorial são de enorme potencial para a geração de energia elétrica e aquecimento de água. Estudos vêm sendo feitos a fim de viabilizar a implantação desses sistemas “independentes”, ou seja, através de sistemas fotovoltaicos, à comunidades remotas, onde as grandes instalações elétricas ainda não chegam ou são projetos de grande custo e tempo de construção.

Colocaremos em pauta os diferentes modelos de sistemas fotovoltaicos, a viabilidade de instalação, os custos atuais para tais sistemas no Brasil e o que já está acontecendo no cenário nacional.

1.1-Justificativa

A motivação do presente trabalho surge do interesse em se buscar uma solução para a falta de acesso à energia elétrica nas comunidades mais afastadas da população urbana, tendo como foco a análise de viabilidade de se instalar placas fotovoltaicas a estas residências, visto o potencial do Brasil para maior exploração da energia solar.

Nos dias atuais, apesar do grande desenvolvimento tecnológico que vem acontecendo, é difícil imaginar áreas no Brasil que ainda vivem sem energia elétrica, porém o problema é real e muitas comunidades ainda sofrem esse impacto por falta de acesso à energia elétrica.

E se conseguirmos a curto e médio prazo disponibilizar energia elétrica a tais comunidades? Quais seriam os impactos? Os avanços? É com esse pensamento que se baseia essa pesquisa.

1.2-Objetivos:

1.2.1-Objetivo geral

Levantar dados que possam ter influência direta ou indireta para implantação de placas fotovoltaicas.

1.2.2-Objetivo especifico

-Demonstrar de forma sucinta a disposição de um projeto para geração de energia elétrica através de sistemas fotovoltaicos;

-Analisar a viabilidade de instalação de placas fotovoltaicas, para geração de energia em comunidades rurais e remotas.

2-DESENVOLVIMENTO

2.1-Energia solar nas comunidades rurais e remotas

Comunidades distantes sejam rurais, ribeirinhas, no sertão ou na região amazônica ainda sofrem com a falta de energia elétrica disponibilizada pelas concessionárias. Para isto se tem algumas medidas e projetos acontecendo em nosso país. A ideia de fontes alternativas de energia em comunidades afastadas se apresenta como uma alternativa bastante promissora, visto que, têm-se muitos prós se tratando de sustentabilidade e energia reutilizável. Tais energias como a eólica e solar possuem um futuro promissor no Brasil. Em comunidades e povoados onde não se apresentam grandes consumos comparados aos dos grandes centros comerciais e urbanos de nosso país, sistemas independentes e locais seriam de grande proveito e funcionalidade. Por funcionarem de forma isolada, tais sistemas, não necessitam das longas linhas de transmissão que deveriam conectar as comunidades isoladas ao sistema principal, o que traria maior agilidade no planejamento e instalação.

De acordo com dados do último Censo (IBGE), vemos que “em 2010 havia 1,3% de domicílios sem energia elétrica, com maior incidência nas áreas rurais do País (7,4%). A situação extrema era a da região Norte, onde 24,1% dos domicílios rurais não possuíam energia elétrica, seguida das áreas rurais do Nordeste (7,4%) e do Centro-Oeste (6,8%).

Com exceção das áreas rurais da região Norte, onde apenas 61,5% dos domicílios tinham energia elétrica fornecida por companhias de distribuição. As outras regiões apresentaram uma cobertura acima de 90%, variando de 90,5% no Centro-Oeste rural a 99,5% nas áreas urbanas da região Sul.”  Dados como este mostra a dificuldade de acesso à energia elétrica que grande parte da população brasileira ainda sofre em pleno século XXI. Programas do governo federal como o “Luz para todos” vem demonstrando que a utilização de sistemas independentes para essas comunidades é de grande vantagem financeira, agilidade no processo de projeto e instalação e menos custos de manutenção.

Segundo Ulisses Giampietro (2004) “O sistema fotovoltaico é mais econômico que a extensão de rede convencional, pois é mais vantajoso e barato eletrificar quinze casas localizadas a dois quilômetros da rede, por meio da energia solar, do que estender a rede elétrica”.

Portanto, a escolha do sistema convencional ou do fotovoltaico dependerá da distância entre o consumidor em relação à linha de distribuição mais próxima e do número de domicílios atendidos.

Em relação ao potencial brasileiro de aproveitamento da energia solar, temos os seguintes dados:

Segundo SWERA, “Analisando-se o mapa brasileiro de irradiação solar vemos que o país possui grande capacidade de geração energética por meio fotovoltaico sendo que os maiores valores de irradiação solar são observados no vale do rio São Francisco, na Bahia e na divisa entre os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.”

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Apesar de observar-se grande potencial de geração em território brasileiro, acredita-se que o grande desafio nacional seja o planejamento e os fundos para tal investimento.

Segundo José Luiz Cunha (2006) “Embora a tecnologia fotovoltaica venha sendo usada no Brasil nas últimas duas décadas, somente recentemente vem sendo reconhecida como uma opção potencial para localidades e domicílios situados longe da rede de distribuição de energia elétrica. O avanço da tecnologia, principalmente na área de energia solar, vem criando opções para a geração alternativa de eletricidade, com a vantagem de ser não poluente”.

Se tratando de sistema solar fotovoltaico tem-se dois modelos de implementação, de acordo com a empresa Bluesol (2010), o primeiro chamado de offgrid é aquele que não está conectado à rede elétrica convencional. Pode abastecer locais remotos, como propriedades rurais e embarcações, e equipamentos isolados, como radares de autoestradas. Atualmente, é o mais utilizado no Brasil. Já o on-grid é o sistema solar fotovoltaico conectado à rede elétrica. Ele pode abastecer edificações completas ou apenas algumas de suas instalações – por exemplo, câmeras domésticas de segurança. Em muitos países onde o sistema on-grid é amplamente utilizado, como Alemanha e Espanha, é possível que o proprietário venda o excedente da eletricidade produzida por seu sistema fotovoltaico para a concessionária de energia, o que gera ainda mais economia. Abaixo é apresentado um esquema de como o sistema “on-grid” é instalado e os principais componentes a serem instalados, de acordo com BlueSol(2010):

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Esses dois modelos, tanto o off-grid quanto o on-grid, trazem ainda mais vantagens para o uso de sistemas fotovoltaicos, visto que os projetos podem ser viabilizados mais facilmente.

Em relação aos preços, nem todos os brasileiros que desejam ter esses sistemas fotovoltaicos em suas casas, conseguem. Apesar de alguns incentivos do governo federal, tal como leis de incentivo fiscal e leis que estipulam prazos para as distribuidoras agilizarem o processo de interligação desses sistemas independentes à rede, os preços de projetos e instalações subiram no ano de 2015, devido à alta do dólar americano, pois os materiais, preços de importação e equipamentos também subiram.

De acordo com (IDEAL, 2014) é mostrado como se dividem os preços, sendo 47% do custo total é relativo aos módulos fotovoltaicos, 23% aos inversores, 17% a outros componentes (estrutura física, instalações e proteções elétricas, etc.), e 13% ao projeto e a instalação do sistema.

Em geral é necessário que consumidores contratem empresas especializadas para que se possa ter total compreensão em relação aos preços atuais para o mercado brasileiro e que orçamentos e projetos possam ser elaborados.

CONCLUSÕES

Conclui-se então que se calculando os tempos de retorno do investimento inicial têm que a instalação de sistemas fotovoltaicos no Brasil já se pode ser considerada viável em relação ao custo-benefício, tempo de projetos, planejamento e instalações de sistemas a curto e médio prazo, porém o cenário nacional ainda apresenta grandes desafios para anos futuros, e ainda a conscientização e clareza da ideia para a população em âmbito nacional. Têm-se também alguns outros benefícios tais como o modelo sustentável desse método, referente a utilização de energia renovável e limpa, e o desafogamento do principal sistema de geração elétrica do país, o hidroelétrico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BLUESOL. Educacional energia solar. Disponível em: http://www.bluesol.com/energia-solar/posso-ter-energia-convencional-e-paineis-sem-baterias-econectados-a-rede-eletrica-da-concessionaria-de-energia/, 2010; acesso em 23 de março de 2016.

CUNHA, José Luiz, Eletrificação de edificações rurais isoladas utilizando energia solar fotovoltaica. Disponível em:  http://www.solenerg.com.br/files/monografia_joseluiz.pdf; 2006; Acesso em 17 de março de 2016.

GIAMPIETRO, Ulisses. Viabilidade econômica da energia solar nas áreas rurais do nordeste brasileiro. Disponível em: http://mackenzie.br/dhtm/seer/index.php/jovenspesquisadores/article/view/796/331; 2004; Acesso em 20 de março de 2016.

IDEAL. Instituto para o desenvolvimento de energias alternativas na américa latina. Disponível em: http://www.americadosol.org/wp-

content/uploads/2014/11/2014_ideal_mercadoGDFV.pdf; 2014; Acesso em 05 de abril de 2016.

REALSOLAR. A composição do sistema solar fotovoltaico conectado a rede.

Disponível em: http://real-solar.com/como-funciona.php; Acesso em 15 de março de 2016.

SINERGIA. Médias anuais de radiação solar no brasil.Disponível em  http://stizenergia.com.br/wp-content/uploads/2014/04/atlas-solar2.jpg.Acesso em 17 de março de 2016.