Educação Sociedade Sustentabilidade

O IMPACTO DO UNIVERSO INFANTO JUVENIL NO DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA AMBIENTAL DOS ADULTOS

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Alex Sandro Silva de Oliveira1; Gabriel Gomides Pinto1; Heitor Geivisson Ferreira

Seixas1; Luiz Guilherme da Silva Mattos1; Thabata de Castro Barbosa do Bem1;  Bárbara Lobo2.

1   Engenharia de Petróleo, Universidade Estácio de Sá, Macaé, Rio de Janeiro

2   Pós Doutora, UNTREF, Buenos Aires – AR

RESUMO

As crianças possuem grande influência no comportamento dos adultos, uma vez que utilizam sua curiosidade e espírito questionador para cobrar atitudes politicamente corretas de seus cuidadores. Sua inocência e vulnerabilidade implica um zelo da parte dos adultos com o cuidado em agradá-los, ainda que não deem o devido valor aos pequeninos. Este trabalho visa medir o poder de persuasão dos pequenos sob os adultos, além de investigar a importância dessa influência no futuro do planeta; busca-se, ainda, avaliar os mecanismos desse processo de transformação no comportamento dos adultos. O presente estudo usará questionários aplicados nos educadores e estudantes, a fim de provar a importância do tema a ser estudado.

Palavras-chave: Cidadania; Educação Ambiental; Sustentabilidade.

I-INTRODUÇÃO

A questão ambiental trata um grande leque que engloba os problemas e discussões socioambientais, incluindo questões relacionadas à qualidade de vida e aos impactos da ação humana no ambiente.

Vivemos diversas situações em nosso dia a dia que nos fazem pensar na questão ambiental. O tempo todo nos sujeitamos a diversas reflexões, mas nenhuma delas que nos tire do conforto de nosso cotidiano e nos traga a arregaçar as mangas e ser um vetor da mudança. Mais que isso, jamais nos esforçamos para ser multiplicadores do movimento sustentável.

Mas, de onde vem essa profunda degradação ambiental? Segundo Junior e Pelicioni (2005), apud Pelicioni, esse é um problema advindo de uma crise social, filosófica, econômica e política, que atinge toda essa geração por meio de valores e práticas que não condizem com a manutenção de um ambiente sadio que favoreça uma boa qualidade de vida.

Nosso país encontra-se totalmente vulnerável na questão do meio ambiente. Nossa educação enfrenta sérios problemas de qualidade e não foi democratizada. Dessa forma propomos uma análise da crise ambiental que enfrentamos. (SOFFIATI, 2002). Difícil é entender essa crise, principalmente em nosso estado. Uma vez que estudiosos veem analisando essa situação sem sucesso: “Assim, o estado do Rio de Janeiro e os governantes da década de 90 pouco têm realizado em EA. Seus melhores feitos têm sido na tímida participação de educadores e na oferta de espaço virtual para democratização da informação”. (PEDRINI, 1997)

Assim, em face destas discussões percebeu-se a necessidade de se realizar um estudo com um grupo de crianças, previamente selecionado, que supostamente teria acesso à algum tipo de educação ambiental. Buscamos abordar seus conhecimentos acerca do desenvolvimento sustentável, da educação ambiental, do meio ambiente e de ações de proteção e conservação desta comunidade.

Encontramos aqui nosso primeiro percalço: não há em Macaé, RJ, uma escola da Prefeitura que direcione o olhar das crianças para esse horizonte. Não desistimos, seguimos com a aplicação do questionário.

 

1.1          Como abordar Educação Ambiental em um ambiente que nunca antes

abriu espaço para o tema?

“O     homem é um ser de relações. A cultura é o reflexo do processo criativo do homem e este processo criativo o torna um agente de adaptação ativa e não de uma acomodação. Essa concepção distingue natureza de cultura, entendendo a cultura como o resultado do seu trabalho, do seu esforço criador. Essa descoberta é a responsável pelo resgate da sua autoestima, pois, tanto é cultura a obra de um grande escultor, quanto o tijolo feito pelo oleiro. Procura-se superar a dicotomia entre teoria e prática, pois durante o processo, quando o homem descobre que sua prática supõe um saber, conclui que conhecer é interferir na realidade, percebe-se como um sujeito da história.” (LOBO, 2016).

Tomando por base Paulo Freire, entendemos que um programa de educação ambiental para ser efetivo deve desenvolver conhecimento, atitudes e habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental.

Dessa forma percebemos que para tornar as crianças multiplicadoras de conhecimento e atitudes sustentáveis é necessário – antes de tudo – dar a elas informação. Será ainda mais proveitoso se esses dados não ficarem restritos à teoria, mostrando ao aluno situações reais em que podemos aplicar a sustentabilidade.

 

1.2       A       importância        de        se        estudar        Educação       Ambiental?

          Loureiro et al (2002) afirma que a educação ambiental é um elemento estratégico na formação da ampla consciência crítica das relações sociais e de produção que situam a inserção humana na natureza.

A Educação Ambiental entendida como aprendizagem de novas habilidades que levam à mudança de valores e atitudes deve envolver todos os atores sociais que interferem no meio ambiente. (LOBO, 2016).

 

1.3    Justificativa

A relevância deste estudo baseia-se na importância da educação ambiental no contexto de construção de conceitos de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, ressaltando a participação infantil no desenvolver deste processo.     Assim, cabe ressaltar que a participação das crianças produz o processo de afeiçoamento da população com a causa, abordando, assim, os impactos do universo infanto-juvenil no desenvolvimento da consciência ambiental dos adultos.

 

1.4      Objetivos

1.4.1 Geral

Provar o poder de persuasão das crianças sob os adultos

1.4.2 Específicos

  • Investigar a importância dessa influência no futuro do planeta; •Analisar como se dá o processo de mudança no comportamento dos adultos;
  • Propor medidas que auxiliem na ampliação do conhecimento, visando criar a concepção de multiplicadores ambientais.

 

II  – MATERIAIS E MÉTODOS

2.1     Tipo de pesquisa

A pesquisa na Escola Municipal Professora Letícia Peçanha de Aguiar, em Macaé, Rio de Janeiro, consistiu na investigação da importância dessa influência infanto-juvenil na transformação do pensamento e das atitudes dos adultos em relação ao meio ambiente. Num primeiro momento, por meio de pesquisas bibliográfica e documental. Numa segunda etapa, fez-se a coleta de dados, utilizando questionários, e finalmente a análise e interpretação sistemática dos dados.

Optamos por desenvolver uma pesquisa qualitativa, que analisou as opiniões dos pequenos trazendo à tona reflexos do ambiente social e cultural dessas crianças no que diz respeito a questão ambiental.

As pesquisas bibliográfica e documental foram realizadas em livros, artigos, documentos e leis. Segundo Lobo (2016), apud May (2004), a pesquisa documental se torna um meio através do qual o pesquisador procura uma correspondência entre a sua descrição e os eventos aos quais ela se refere. Para Lobo (2016), apud Gil (1991), a pesquisa bibliográfica permite ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

Lüdke e André (1986) consideram que o estudo de caso visa à descoberta, mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos, deve se manter constantemente atento a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo. Em nosso caso específico buscamos conhecer o quão integradas às questões ambientais essas crianças estão, para então entender qual a influência delas em seu meio social.

 

2.2     Delimitação e alcance

O foco de nosso estudo é a Escola Municipal Professora Letícia Peçanha de Aguiar, a instituição foi escolhida por manter um projeto de coleta de óleo o que implica que de alguma forma ela está ligada às questões ambientais. Para o desenvolvimento de nosso trabalho foi necessário que já houvesse algum tipo de contato com a sustentabilidade para que fosse possível enxergar essas crianças como multiplicadores de Educação Ambiental.

 

2.3     População e amostra

O público alvo selecionado para o estudo foi composto por 20 (vinte) crianças, entre 9 e 11 anos; além de 4 (quatro) educadores entre 21 (vinte e um) e 40 (quarenta) anos. Gil (1991) considera que a escolha de indivíduos selecionados com bases em certas características mostra-se mais adequada para a obtenção de dados de natureza qualitativa.

 

2.4     Instrumentos de coleta de dados

O estudo de caso foi realizado por meio da observação in locu e de questionários de entrevistas aplicados a 20 (vinte) alunos, 13 (treze) com 9 anos, 3 (três) com 10 anos e 4 (quatro) com 11 anos, todos alunos da mesma turma dentro da mesma instituição. E ainda os professores responsáveis pelas turmas da escola.

O questionário fundamentou-se em perguntas básicas e teve como finalidade analisar e obter informações a respeito da percepção das crianças acerca da importância de se cuidar do meio ambiente, e identificar a existência de ações de educação ambiental e desenvolvimento sustentável a partir da comunidade em que vivem.

O questionário foi composto por 10 (dez) questões básicas, em que se buscava entender o conceito da população alvo sobre meio ambiente e Educação Ambiental. Buscava analisar a participação da escola nos processos introdução dos menores às questões ambientais e a percepção deste público quanto a estas questões.

III- RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1      Análise dos resultados e discussões

No gráfico 1, pode-se verificar o conhecimento dos educadores acerca da conservação do meio ambiente, além da sustentabilidade. Com base nos dados percebemos que é notório o interesse em incluir comportamentos ambientalmente corretos no dia a dia dos alunos, porém trabalhos voltados à essa esfera não são desenvolvidos.

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Já no gráfico 2, observamos que boa parte dos alunos estão antenados com a importância de se cuidar do meio ambiente, mas nem todos estão inseridos em atividades que possam favorecer um comportamento socioambiental favorável à sustentabilidade.

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IV- CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS

Lobo (2016) afirma que a educação ambiental pode sim sensibilizar uma população no sentido da preservação do meio onde vivem. Integração em atividades e projetos que misturem educação ambiental com questões lúdicas podem sim modificar o comportamento infanto-juvenil e tornar esses menores multiplicadores desses ideais em suas casas e na comunidade onde vivem. Para Lobo (2016), apud Dias (1992), por lidar com a realidade, a educação ambiental pode e deve ser o agente de novos processos educativos que conduzam as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudança e melhoria do seu ambiente total.

A Escola Municipal Professora Letícia Peçanha de Aguiar foi escolhida como objeto de estudo desse trabalho pois, mesmo não tendo um projeto efetivo de educação ambiental e/ou sustentabilidade, ela faz a coleta de óleo da região para o descarte. Isso influenciou a escolha devido a carência de projetos voltados à essa área em nosso município.

Como a educação ambiental se caracteriza pelo hibridismo entre prática e teoria que acabam por promover mudanças no comportamento humano, acreditamos que ela será a responsável pela construção do cidadão sustentável.

Entre a análise documental e bibliográfica do primeiro momento do nosso trabalho, pudemos entender o que é a educação ambiental e de que forma ela agirá para a mudança do comportamento humano.

Em seguida, com a coleta dos dados, pudemos identificar o nível de conhecimento do público-alvo sobre a importância da proteção conservação e preservação ambiental, e ainda da importância de se ter atitudes sustentáveis.

Os resultados implicam que ações educacionais por meio de palestras, atividades lúdicas e projetos a longo prazo podem minimizar os impactos ambientais.

Fica a proposta de implantação de projetos como minhocário, horta e passeios ecológicos com a turma; além de palestras e teatros que desenvolvam o gosto por preservar nos pequenos.

V- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, Ronaldo Souza de; LAYRARGUES, Philippe Pomier; LOUREIRO, Frederico Bernardo (Orgs.). Educação Ambiental: repensando o espaço da cidadania. São Paulo: Cortez, 2002.

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2003.

FREIRE, Paulo.  Educação e Mudança.  Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. 11ed.

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 1991.

JUNIOR, Arlindo Philippi; PELICIONI, Maria Cecília Focesi (Editores). Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri, SP: Manole, 2005.

LOBO, Bárbara Emília Monteiro Nunes da Silva. O Desenvolvimento Sustentável como perspectiva para Transformação da Realidade Social tendo como Elo de Ligação a Educação Ambiental. Macaé, RJ: Revista Dominus, 2016.

LÜDKE, Menga e ANDRÉ, Marli. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: E.P.U., 1986.

MAY, Tim. Pesquisa Social: questões, métodos e processos. 3. ed. Porto Alegre: Atrmed, 2004.

PEDRINI, Alexandre de Gusmão (Org.). Educação Ambiental: reflexões e práticas contemporâneas. Petropólis, RJ: Vozes, 1997.