Produtividade

Atual matriz energética brasileira

energia-renovável1

 

Ana L. Z. Figueiredo¹; Anselma L. N. Reis¹; Jonathan Melo¹; Nilton M. Neto¹; Vanessa S. Tavares¹; Bárbara Lobo².

¹Engenharia de Petróleo, UNESA, Macaé

²Pós Dra., UNTREF, Buenos Aires, AR

RESUMO

O desafio atual é manter a oferta de energia em crescimento e aumentar a participação das fontes de energia renováveis na matriz energética mundial. Além disso, é preciso disponibilizá-la de acordo com sua forma preferencial de uso e fazê-la chegar aos locais de consumo a um preço acessível. Diversos tipos de fontes energéticas são encontrados no planeta, apesar disso, a matriz energética mundial é baseada no consumo de fontes de energia não renováveis entre elas o petróleo, carvão e urânio. Em 2013, cerca de 86% da energia consumida no mundo teve como origem os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão). O petróleo foi responsável por 33% deste consumo.Das fontes renováveis, verifica-se o importante crescimento dos setores de energia hidráulica e biomassa, devido ao aumento dos produtos da cana. O fomento do setor hidráulico foi possível devido ao grande potencial dessa fonte no Brasil, à criação de empresas brasileiras geradoras de energia elétrica e aos investimentos contínuos e específicos.

Palavras-chave:Energias não renováveis; energias renováveis; matriz energética.

ABSTRACT

The current challenge is to keep the power supply growing and increase the renewable power sources participation in the world energy matrix. Besides that it needs to make available according to your preferred way to use and make it reach to consumption points at an affordable price. Several types of energy sources are found on the planet, despite the global energy matrix is based on the consumption of non-renewable energy sources including oil, coal and uranium. In 2013, about 86% of the energy consumed in the world was originated from fossil fuels (oil, natural gas and coal). The oil was responsible for about 33% of this consumption. There is a significant growth of hydro power and biomass sectors due to increased sugar cane products in renewable sources. The development of the water sector was possible due to the great potential of this source in Brazil, the creation of Brazilian companies that generate electricity and continuous and specific investments.

Keywords:Energy matrix; non-renewable energy; renewable energy.

1- INTRODUÇÃO

As sociedades humanas dependem cada dia mais de um elevado consumo energético para realizar suas atividades diárias. Diversos tipos de fontes energéticas são encontrados no planeta, apesar disso, a matriz energética mundial é baseada no consumo de fontes de energia não renováveis entre elas o petróleo, carvão e urânio. No Brasil a matriz energética ainda é fundamentada em sua maioria em fontes não renováveis.

As fontes não renováveis são caracterizadas pelo alto índice de degradação ambiental, sendo consideradas as grandes vilãs sobre o ponto de vista socioambiental no mundo, em função das inúmeras consequências que causam entre elas oaquecimento global, surgindo assim, a necessidade de alternância do caráter energético, por meio da implementação de fontes alternativas e de diversos processos de produção, transporte e armazenamento dessas energias.

O petróleo é a principal fonte de energia utilizada no mundo, porém segundo especialistas ele precisa ser gradativamente ser substituído por novas fontes energéticas, principalmente porque a combustão dos seus derivados produz grandes quantidades de gases poluentes.

O desafio atual é manter a oferta de energia em crescimento e aumentar a participação das fontes de energia renováveis na matriz energética mundial. Além disso, é preciso disponibilizá-la de acordo com sua forma preferencial de uso e fazê-la chegar aos locais de consumo a um preço acessível.

1.1- Justificativa

Em 2013, 86,3% da energia consumida no mundo teve como origem os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão). O petróleo foi responsável por 32,6% deste consumo (BP, 2014).

A atual crise nos preços do petróleo afeta fortemente o fornecimento de energia da maior parte dos países no mundo, uma vez que suas matrizes energéticas são fortemente dependentes deste combustível. Entretanto, esta crise representa também uma oportunidade para realizar melhorias no sistema energético, baseando-o em iniciativas mais sustentáveis (LUCON & GOLDEMBERG, 2009).

O Brasil possui uma matriz energética considerada limpa, pois a energia brasileira advinda de combustíveis fósseis correspondeu a quase 60% do total da energia consumida em 2013, para uma participação de 86% de combustíveis fósseis no mundo para o mesmo período (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2015).

A oferta de energia brasileira tem seguido essa tendência de participação de energia não renovável de cerca de 60% ao longo dos anos, a figura 1 demonstra a participação das energias renovável e não renovável no Brasil (TOLMASQUIM et al., 2007; TOLMASQUIM, 2012).

 Capturar

Figura 1 – Oferta de energia renovável e não renovável no Brasil (Elaboração própria, 2016).

Mas será que é possível reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e tornar a matriz energética brasileira mais sustentável? Este trabalho foi elaborado com a intenção de avaliar a situação do Brasil neste novo cenário energético global de desafios no que diz respeito à geração de energia.

1.2- OBJETIVOS 1.2.1- Objetivo geral

Analisar a atual matriz energética brasileira.

1.2.2- Objetivos específicos

  • Identificar o atual cenário de fontes de energia no Brasil;
  • Descrever a participação e importância de cada fonte de energia da matriz energética brasileira.

2- FONTES DE ENERGIA NÃO RENOVÁVEIS 2.1- Petróleo e derivados

Segundo Tolmasquim (2012), a participação do petróleo e derivados na matriz energética brasileira em 2010 era de 38,5%. Há uma expectativa de diminuição da sua participação na composição da matriz energética brasileira, apesar do espero aumento de produção de petróleo e gás natural devido a exploração das reservas do pré-sal. Isto pode ser explicado pela expectativa no aumento da participação de derivados da canade-açúcar.

O principal derivado do petróleo consumido no Brasil é o óleo diesel, com 39% de participação no consumo em 2007. Este consumo deve-se principalmente ao transporte de cargas dependente do setor rodoviário (VICHI & MANSOR, 2009).

A principal desvantagem no uso de combustíveis fósseis é a liberação de gases de efeito estufa. Além de ser uma fonte energia que pode criar o problema da segurança energética, acarretando flutuações no preço do barril de petróleo e, portanto aumento do preço das energias que usam o petróleo como fonte. Problemática que ocorre no petróleo, devido reflexos de crises econômicas e políticas. Devemos lembrar que o uso do petróleo como matéria prima na indústria química é primordial, pois ainda não há alternativas economicamente viáveis para substituição do petróleo como insumo industrial químico e petroquímico (VICHI & MANSOR, 2009).

A principal vantagem do petróleo é grande quantidade barris em reservas provadas. Segundo ANP (2011), em 2010 as reversas provadas aumentaram 10,7% e chegaram a 14,2 bilhões de barris.

2.2- Gás natural

Segundo Tolmasquim (2012), a participação do gás natural na matriz energética brasileira em 2010 era de 10,2%. O consumo de gás natural no Brasil se dá basicamente nos setores industrial e energético, mas a utilização no setor de transportes vem aumentando bastante nos últimos anos. Em 2007, o setor industrial tinha 53% de participação no consumo de gás natural no Brasil. Destacam-se o grande crescimento nos setores industrial e de transporte, onde o gás tem substituído o óleo combustível e os combustíveis derivados de petróleo, respectivamente (VICHI & MANSOR, 2009).

2.3- Carvão e urânio

A participação do carvão mineral é cerca de 5% e do carvão vegetal/ lenha é cerca de 9% na matriz energética brasileira. A principal restrição à utilização do carvão é o forte impacto socioambiental provocado em todas as etapas do processo de produção e combustão. A extração, por exemplo, provoca degradação das áreas de mineração (TOLMASQUIM, 2012).

Conforme o Ministério de Minas e Energia (2015) o urânio corresponde a apenas 2,5% das fontes de energia. A energia nuclear apresenta como vantagem: não gera gases de efeito estufa; não é afetada por variações climáticas; ocupa uma área pequena, quando comparadas com outras formas de geração de energia; pode ficar próxima dos grandes centros consumidores, eliminando a necessidade de longas linhas de transmissão. E como desvantagens da energia nuclear: o urânio é fonte de energia não renovável; geração de resíduos nucleares; emissão de radiações; elevados custos.

3- FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 3.1- Hidráulica

Energia Hidráulica, também conhecida como energia hídrica ou hidrelétrica é o aproveitamento da energia cinética contida no fluxo de massas de água, ou seja, é aquela obtida através do aproveitamento da energia potencial e cinética das correntes de água em rios, mares ou quedas d’água e é considerada uma fonte de energia renovável e limpa (SILVA, 2010).

A energia cinética é transformada em energia mecânica através da rotação das pás das turbinas que compõem o sistema da usina hidrelétrica para, posteriormente, ser transformada em energia elétrica pelo gerador do sistema. O Brasil conta com mais de mil usinas hidrelétricas espalhadas pelo território nacional, que juntas produzem 65% da energia elétrica do país (NEOENERGIA, 2013).

A energia hidráulica representa 14,2% de toda matriz energética brasileira (TOLMASQUIM, 2012).

Segundo Silva (2010), a energia hidráulica apresenta como vantagens: fonte de energia limpa e renovável; água represada pode, dependendo do projeto, ser reaproveitada; a represa pode regularizar a vazão do rio; baixo custo operacional. E como desvantagens: diminuição da geração de energia elétrica em períodos de estiagem; impacto ambiental por alagamento de áreas e vazão de água das barragens.

3.2- Biomassa e Cana-de-açúcar

A biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável disponível em grande quantidade e derivada de matérias orgânicas. A cana-de-açúcar responde por cerca de 18% da matriz energética brasileira, atrás apenas do petróleo e derivados. Da planta aproveita-se o caldo, o bagaço e a palha da cana para produção de açúcar, etanol, adubo e bioeletricidade. O etanol é a principal fonte de energia derivada da cana-deaçúcar (SILVA, 2010).

Segundo Portal Energia (2015), a biomassa apresenta as seguintes vantagens: energia renovável; pouco poluente, não emiti dióxido de carbono; biomassa sólida é extremamente barata; menor corrosão dos equipamentos. E como desvantagens: desmatamento; menor poder calorífico comparado com outros combustíveis; biocombustíveislíquidos contribuem para a formação de chuvas ácidas; dificuldades no transporte e no armazenamento de biomassa sólida.

3.3- Eólica e Solar

Em 2010, fontes de energia solar e eólica, junto como outras fontes renováveis, representava cerca de 4% da matriz energética brasileira (TOLMASQUIM, 2012).

A geração de energia elétrica por meio de turbinas eólicas tem vantagens como:

fonte inesgotável; não emite gases poluentes nem gera resíduo; diminui a emissão de gases de efeito de estufa. E como desvantagens: impactos sonoros e visuais; possibilidade de intermitência, nem sempre o vento sopra quando a eletricidade é necessária, tornando difícil a integração da sua produção no programa de exploração; impacto ambiental a aves (PORTAL ENERGIA, 2015).

Segundo Timilsina et al. (2011), a tecnologia solar pode ser classificada como passiva e ativa, térmica e fotovoltaica, concentrada e não concentrada. A tecnologia passiva apenas recolhe a energia sem converter a luz ou o calor em outras formas e inclui, por exemplo, a maximização do uso da luz e o calor do dia por meio de projetos de construção bem elaborados. Em contraste, a tecnologia ativa aproveita e converte a energia para outras aplicações que podem ser classificadas em dois grupos: fotovoltaica (PV) e energia solar térmica. A energia solar apresenta como vantagens: não poluente; renovável e em abundância. A grande desvantagem da energia solar é não ser viável economicamente ainda, uma vez que os custos para a sua obtenção superam os benefícios.

4- CONCLUSÕES

A matriz energética brasileira é fundamentada em fontes não renováveis. O país possui uma matriz energética considerada limpa, pois a participação de energias não renováveis é de cerca de 60%. Das fontes renováveis, verifica-se o crescimento de energia hidráulica e biomassa. O fomento do setor hidráulico foi possível devido ao grande potencial dessa fonte no Brasil, criação de hidrelétricas e investimentos contínuos e específicos. Das outras fontes renováveis, percebe-se que uma lenta evolução de participação, pois seu desenvolvimento depende de estudos e investimentos mais substanciais.

5- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANP, AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS

(Brasil). Anuário estatístico brasileiro do petróleo, gás natural e biocombustíveis. Rio de Janeiro. ANP. 2011.

BP. Energy Statistical Review. 2014.

LUCON, O.; GOLDEMBERG, J. Crise financeira, energia e sustentabilidade no Brasil. Estudos Avançados 23 (65). 2009.

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Resenha Energética Brasileira – Exercício de 2014. 2015

NEOENERGIA. Matriz energética. 2013. Disponível em: http://www.neoenergia.com/Pages/O%20Setor%20El%C3%A9trico/MatrizEnergetica.as px. Acesso em: 02 de abril 2016.

SILVA, F. Fontes de energia mais empregadas na geração de energia elétrica (2010), P. 21. Trabalho de conclusão de curso – Licenciatura em Física. Universidade Federal de Rondônia, Rondônia, 2010.

TIMILSINA, G.R; KURDEGELAVILI, L.; NARBEL, P.A. Solar energy: Markets, economics and policies. Renewable and Sustainable Energy Reviews, v.16, p.449-465, Out. 2011.

TOLMASQUIM, M. T. Perspectivas e planejamento do setor energético no Brasil. Estudos Avançados 26 (74). 2012.

TOLMASQUIM, M. T.; GUERREIRO, A.; GORINI, R. Matriz energética brasileira uma prospectiva. Novos Estudos 79. 2007.

VICHI, F. M.; MANSOR, M. T. C. Energia, meio ambiente e economia: O Brasil no Contexto Atual. Química Nova, vol. 32, nº3, págs. 757-767. 2009.

PORTAL ENERGIA. Vantagens e desvantagens da energia eólica, 2015. Disponível em: http://www.portal-energia.com/vantagens-desvantagens-da-energia-eolica/. Acesso em: 28 de abril de 2016.