Sustentabilidade

O Desenvolvimento Sustentável como Perspectiva para Transformação da Realidade Social tendo como Elo de Ligação a Educação Ambiental

etica_ambiental_desenvolvimento_sustentavel1-2234384

Bárbara Emília Monteiro Nunes da Silva1

1Pós Dr., UNTREF, Buenos Aires, AR

 

RESUMO

Esta pesquisa analisou a APA do Sana através da participação da população nas questões ambientais locais e sua percepção sobre a importância da educação ambiental em relação à proteção do meio ambiente, servindo de alicerce para a estratégia de formação de multiplicadores visando o desenvolvimento sustentável. A pesquisa baseou-se no estudo de caso realizado por meio da observação in locu e de questionários de entrevistas com moradoras da localidade e, como instrumentos para coleta de dados, buscou-se a análise documental, bibliográfica e dos dados coletados através de questionário com perguntas fechadas. Os dados consolidados demonstram que o público selecionado reconhece a importäncia das ações de educação ambiental como elo de ligação entre a comunidade e o desenvolvimento sustentável. Concluiu-se que a educação ambiental se caracteriza por ser um instrumento de associação teórico-prática, através de informações que possam intervir na realidade e promover mudanças de atitudes cotidianas, levando a novas práticas ambientais na construção da cidadania e da sustentabilidade.

Palavras-chave: Educação; Meio ambiente; Sustentabilidade.

 

 

ABSTRACT

This research has analyzed the Sana’s Region Preserved Environmental Area (PEA) using local population environmental issues and it’s perception about the importance of environmental education due to environment protection, which serves as a base for multipliers formation estrategy aiming the sustainable development. Research has been based in a case study done by in locu observation and interviews with the local people and as data base collect instrument through a documental, bibliographical and predetermined questionary analysis. Consolidated data has demonstrated that selected people recognize environmental education importance as a link between community and sustainable development. Conclusion is that environmental education is characterized as a theoretical-pratical association instrument from informations that can intervene in reality and promote everyday attitudes changes, taking new environmental pratices due to citizenship and sustainable construction.

Key-words: Education; Environmental; Sustainability

 

 

I- INTRODUÇÃO

A manutenção do meio ambiente é uma das condições necessárias para a qualidade de vida. É preciso, então, planejar espaço, de modo a garantir a conservação e o controle do uso de recursos naturais e artificiais, o gerenciamento de resíduos, o conforto técnico, acústico, usual e espacial, ou seja, condições ambientais que diminuam ou evitem o risco de exposição da população dos agravos à saúde (PHILIPPI JR., 1988).

Segundo Jacobi (1999) a degradação das condições ambientais tem gerado constantes deseconomias de escala, vinculadas principalmente ao abastecimento de água e aos serviços de saneamento.

A administração de riscos ambientais é simultaneamente um assunto técnico, político e de educação ambiental. Existe a necessidade de ampliar o envolvimento público através de esforços para elevar o nível de consciência dos moradores e estimular sua participação (op. cit).

Assim, em face destas discussões percebeu-se a necessidade de se realizar um estudo com uma população, previamente selecionada, que reside junto a uma área de preservação ambiental, sobre seus conhecimentos acerca do desenvolvimento sustentável, da educação ambiental, do meio ambiente e de ações de proteção e conservação desta comunidade.

 

1.1         Questão central

  • Em que medida as ações de educação ambiental implementadas para a população residente na Área de Proteção Ambiental – APA do Sana são importantes para garantir o desenvolvimento com proteção ao meio ambiente local?

1.2         Uma introdução ao desenvolvimento sustentável

Segundo Malheiros (2005), mesmo a Constituição Brasileira de 1988 tendo um texto bastante atual no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável, a complexidade da questão da sustentabilidade aumenta a necessidade e importância de ações de todos os setores da gestão do meio ambiente para a busca de soluções integradas e sustentáveis.

Essa complexidade se traduz em sistemas de planejamento que não acompanham a dinamicidade das cidades, complexidade da questão ambiental e seu papel no processo de desenvolvimento, descontinuidade de políticas, planos programas e projetos, diminuindo ou anulando os impactos positivos esperados pelos investimentos em infraestrutura e operacionalização dos assentamentos humanos, e finalmente, a baixa participação da sociedade nesse processo de gestão. (op. cit).

Para Miranda (1994), as modificações ambientais impostas pelos atuais padrões de consumo e de produção das sociedades alteram significativamente os ambientes naturais, poluindo o meio ambiente físico, consumindo recursos naturais sem critérios adequados, aumentando o risco de exposição a doenças, atuando negativamente na qualidade de vida da população.

Assim, através de estudos realizados pode-se perceber importantes diferenças em ambientes urbanos com o processo de desenvolvimento, e rurais, por exemplo, no que se refere à poluição atmosférica e com maior risco de agravo para a qualidade de vida (FORATTINI, 1992).

O entendimento dessas diferenças é também importante no processo educacional, formal ou não formal, para que a sociedade compreenda os impactos de suas ações no meio ambiente, e, portanto, o resultado dessas modificações e a qualidade de vida. (op. cit).

1.3         Evolução histórica

A multiplicação de acidentes e problemas ambientais e a ação do movimento ecológico, a partir da década de 70, compõem uma força crítica aos modelos de desenvolvimento industrial, tanto capitalista, quanto socialista, e despertam uma nova consciência, atenta à dimensão ambiental da realidade.

Os reclames da sociedade civil organizada foram pressionando a incorporação da questão ambiental aos programas de governo nacionais, ao sistema político-partidário e à agenda dos organismos internacionais. A Conferência Internacional para o Meio Ambiente Humano, promovida pelas Nações Unidas, em 1972 na Suécia, é o marco histórico-político de uma série de iniciativas e eventos nacionais e internacionais que tratam dos temas ambientais. (GUIMARÃES, 1991).

No mesmo ano, acontece a polêmica publicação do “Os Limites do Crescimento”, um estudo realizado pelo Massachussets Institute of Technology – MIT, por encomenda do Clube de Roma. Este documento avalia as condições de degradação ambiental planetária e estabelece previsões para o futuro. Os resultados publicados são pessimistas e apontam para duas possibilidades, ou ocorre a mudança dos padrões de crescimento econômico, ou ocorrerá o colapso ecológico dentro dos próximos cem anos. O debate se polariza entre os que propõem crescimento zero e aqueles que não confiam em tais previsões e acreditam no potencial da ciência e da técnica como saída para o impasse. (op. cit.).

Na Conferência de Estocolmo registra-se a criação do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Esta Conferência reflete a preocupação com a vulnerabilidade dos ecossistemas naturais, enfatizando os aspectos técnicos da contaminação provocada pela industrialização acelerada, pela exploração demográfica e pela expansão do crescimento urbano. (op. cit.).

Na agenda desta Conferência ressalta-se temas e objetivos de interesse de países industrializados, e o Brasil é um dos países a liderar a resistência terceiro-mundista, sob o argumento de que é preciso o desenvolvimento e não o controle ambiental, e de que se a poluição é inevitável, que ela venha. O fato de os países desenvolvidos proporem controle ao crescimento econômico após terem atingido altos índices de crescimento e degradação de seus próprios recursos chama a atenção. (BRÚSEKE, 1995).

Apesar dos conflitos, a Conferência repercute mundialmente, desencadeando outras conferências internacionais, criação de diversas agências internacionais preocupadas com o tema, de órgãos e ministérios ambientais em diversos países, de milhares de organizações não-governamentais e a organização de partidos verdes em vários países.

Em 1973, o conceito de ecodesenvolvimento é usado para caracterizar uma concepção alternativa de desenvolvimento. De acordo com Brúseke (1996), os princípios básicos dessa nova perspectiva de desenvolvimento são formulados por Sachs, e podem ser sintetizados como a satisfação das necessidades básicas da população, a solidariedade, a participação, a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, a elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas, e programas de educação.

O conceito enfatiza a oposição aos modelos de crescimento imitativos, à importação de tecnologias inadequadas e a promoção da autonomia das populações envolvidas, de forma a superar a dependência cultural aos referenciais externos. (VIEIRA, 1995).

Em 1974, outro documento marcante no debate sobre desenvolvimento e meio ambiente se apresenta, é a Declaração de Cocoyoc. Este é resultado da reunião do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – UNEP e da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD. Na reunião, se avança sobre o modelo sugerido por Sachs, levando à discussão a conexão entre explosão populacional, pobreza, degradação e responsabilidade dos países desenvolvidos com esses problemas, pelo seu elevado nível de consumo, desperdício e poluição. (op. cit).

O Relatório Que Faire, apresentado em 1975 pela Fundação Dag – Hammarskjöld com participação de pesquisadores e políticos de 48 países e contribuições da UNEP e outras 13 organizações da ONU, reforça os argumentos de Cocoyok. Críticas ao abuso de poder dos países desenvolvidos, ao excesso de interferência destes países nos destinos dos países do terceiro mundo e às consequências ambientais são apresentadas. Para Vieira (1995), esperanças são depositadas nas estratégias de desenvolvimento baseadas na autoconfiança e autonomia dos países pobres e, por ter caráter radical, sofre resistências por parte de governos, cientistas e políticos do campo conservador.

Em 1983, é criada a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – UNCED, pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Esta Comissão, sob a Presidência de Gro Harlem Brundtland (Primeira-Ministra Norueguesa), objetiva reexaminar os principais problemas do meio ambiente e do desenvolvimento, mundialmente, e formular propostas realistas como soluções. O relatório “Nosso Futuro Comum” (Our Common Future) é apresentado em 1987, e parte do pressuposto da possibilidade e da necessidade de conciliar crescimento econômico e conservação ambiental, divulgando o conceito de sustentável. (GUIMARÃES, 1991).

Neste contexto, o desenvolvimento sustentável é definido como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras também atenderem as suas. O relatório Brundtland inova ao recusar tratar exclusivamente de problemas ambientais, optando pela perspectiva relacional centrada nas inter-relações entre estilos de desenvolvimento e articulação multidimensional envolvendo os aspectos econômicos, políticos, éticos, sociais, culturais e ecológicos. Para Guimarães (1991), o relatório apresenta filosofia de desenvolvimento combinando eficiência econômica com prudência ecológica e justiça social. Enfatiza ainda que, os problemas do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável se encontram diretamente relacionados com os problemas da pobreza, da satisfação das necessidades básicas, de alimentação, saúde e habitação e de uma matriz energética que privilegie as fontes renováveis no processo de inovação tecnológica. (op. cit).

Em 1992, vinte anos após Estocolmo, é realizado no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente – CNUMAD, conhecida como a Cúpula da Terra ou Rio Eco 92, onde 178 países se reuniram e paralelamente a este evento, ocorre o Fórum Global, com cerca de 4000 ONG’s. Conforme relata Barbieri (1997) estava prevista a elaboração de uma Carta Magna da Terra, com declarações dos princípios fundamentais do desenvolvimento sustentável, contudo, foi aprovado um texto, com 27 princípios que ampliam os de Estocolmo, denominado de Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Em 2012, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável conhecida como Rio+20 contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Ressalta-se o compromisso político com o desenvolvimento sustentável, levando em consideração as necessidades a serem atendidas a partir da avaliação do progresso das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes. (GUIMARAES, 2012).

1.4         Os dilemas do desenvolvimento sustentável

O conceito lançado pelo Relatório Brundtland tem ocupado posição de destaque no debate recente sobre a questão ambiental em sua relação com o desenvolvimento econômico-social. Este novo conceito ao incorporar perspectiva multidimensional supera abordagens unilaterais e reducionistas do problema. Ele inova também ao valorizar os problemas das relações norte-sul, e sobretudo as especificidades dos países pobres, quando relaciona pobreza, riqueza e degradação, quando atenta para as implicações adversas da dívida externa no contexto socioambiental, reconhecendo a desigualdade norte-sul e a maior responsabilidade relativa dos países do norte na construção de um desenvolvimento sustentável. (BRÚSEKE, 1995). Assim, no plano do conhecimento científico, a proposta sugere aproximação entre as ciências naturais e sociais.

Para os que criticam o conceito, a ênfase recai sobre as ambiguidades e contradições, podendo afirmar, de acordo com Lima (1993), que os principais ataques se ramificam em torno da conciliação entre crescimento econômico e preservação ambiental, no contexto de uma economia capitalista de mercado. Consideram ainda, o desenvolvimento sustentável apenas uma nova roupagem para uma proposta superada, a falta de consenso sobre o que é e como se deve atingir o desenvolvimento sustentável, o que deve ser feito para atingir eficiência econômica, prudência ecológica e justiça social na realidade de mundo desigual, injusta e degradada.

Herculano (1992), explora que a associação das noções de sustentabilidade e desenvolvimento encerra um antagonismo. Ela afirma que sustentabilidade é um conceito de ecologia, significando tendência à estabilidade, equilíbrio dinâmico e interdependência entre ecossistemas, enquanto desenvolvimento diz respeito ao crescimento dos meios de produção, à acumulação e expansão das forças produtivas.

Ainda de acordo com Herculano (op. cit), a tendência economicista do conceito merece crítica quando supervaloriza a dimensão econômica do desenvolvimento em detrimento de aspectos éticos, culturais, sociais e políticos, embora teoricamente privilegia a perspectiva pluridimensional. Para ambientalistas, este conceito vem sendo distorcido e reinterpretado como estratégia de expansão do mercado e do lucro, quando, na verdade, significa mudanças essenciais na estrutura de produção/consumo, uma nova ética comportamental e o resgate dos interesses sociais coletivos. (op. cit).

Já Stahel (1995) questiona a sustentabilidade no contexto do capitalismo. Argumenta que o conceito tem sido difundido sem sua significação capitalista, ou mostra sua possibilidade de realização ou irá cair no vazio, servindo como ideologia legitimadora da insustentabilidade capitalista. Desenvolve uma análise a partir da noção da entropia, procurando as sintonias entre os ritmos econômico e biofísico. Compara as duas perspectivas, observando ser o tempo biofísico orientado pela estabilidade, da contínua reciclagem e pelos baixos níveis de entropia, enquanto que o tempo econômico, introduzido pelo capitalismo é marcado pela expansão constante, concorrência de mercado, pelas constantes inovações e pela instabilidade.

 De acordo com o autor, a aceleração do tempo, característica da lógica capitalista, rompe com o tempo circular e com a estabilidade biosférica, acelerando os processos de degradação entrópica. E, é neste descompasso temporal que está a origem da crise ambiental. Stahel (op. cit.) conclui, afirmando que o modelo de desenvolvimento capitalista, visto da lógica da entropia, se mostra insustentável e, o discurso da sustentabilidade no contexto de uma economia de mercado, uma ilusão.

Outro ponto polêmico diz respeito às relações entre os países do norte e os do sul. Schumacher (apud ALMINO, 1993) ao refletir sobre o problema norte-sul, constata que os estudos dos países industrializados defendem o desenvolvimento sustentável para os países do sul, enquanto, segundo ele, são os países do norte que mais precisam dele. O autor ao investigar projeções de aumento populacional e de consumo de combustíveis nos dois blocos, conclui que mesmo com o maior crescimento demográfico nos países do sul, os países do norte continuam responsáveis pela maior parte do dano ambiental mundial. (ALMINO, 1993).

Herculano (1992) ao analisar o relatório de Brundtland, afirma que ele evita referir-se ao desenvolvimento sustentável como expressão do capitalismo liberal. Aponta a pobreza como a principal causa da degradação ambiental, mas o relatório não diz que ambos são produtos de um modelo de crescimento que prioriza a expansão do capital e não as necessidades humanas. A autora identifica a tendência do relatório como um ecocapitalismo, apoiado no avanço tecnológico e capaz de gerar uma industrialização limpa e o controle demográfico do terceiro mundo, causas primordiais da crise. Para ela, a solução proposta pelo relatório é paliativa que não atinge as causas do problema. (op. cit).

Ao se considerar a decisão sobre as responsabilidades, estratégias e métodos para se atingir a sustentabilidade do desenvolvimento, o debate se ramifica em três posições básicas, uma visão estadista, que considera que a qualidade ambiental é um bem público e deve ser normatizada, regulada e promovida pelo Estado; uma visão comunitária, em que as organizações da sociedade civil devem ter o papel predominante na transição para uma sociedade sustentável. Esta se fundamenta de que não há desenvolvimento sustentável sem democracia e participação social. E uma visão de mercado, que afirma que os mecanismos de mercado e as relações entre produtores e consumidores são os meios mais eficientes para conduzir e regular a sustentabilidade do desenvolvimento. (VIOLA & LEIS, 1995).

Assim, o que se observa é que os maiores desafios se concentram no processo de materialização da sustentabilidade, isto é, na transformação da filosofia e do discurso em ação e realização. É nesta lógica que se encontram os obstáculos e as grandes discordâncias sobre como construir um desenvolvimento multidimensional, que integre justiça social, sustentabilidade ambiental, viabilidade econômica, democracia participativa, ética comportamental, solidariedade e conhecimento integrador.

Ao que parece, os anseios dependem do nível e da qualidade da sensibilização pública, de sua percepção da realidade e dos problemas vividos, e de sua capacidade de organização para impulsionar mudanças no sentido de uma sociedade sustentável. Dependerá também, da habilidade dos movimentos sociais em atrair forças, em estabelecer alianças e em liderar um processo que torne a filosofia da sustentabilidade em uma alternativa real de desenvolvimento social.

1.5         Educação ambiental e participação popular

Em 1975 como um desdobramento da Conferência de Estocolmo, aconteceu em Belgrado o Seminário Internacional sobre Educação Ambiental, onde foram definidas as bases conceituais da educação ambiental. Assim, de acordo com Guimarães (1995), o princípio da educação é:

“a atenção com o meio natural e artificial, considerando fatores ecológicos, políticos, sociais, culturais e estéticos. A educação ambiental deve ser contínua, multidisciplinar, integrada dentro das diferenças regionais, voltada para interesses nacionais e centrada no questionamento sobre o tipo de desenvolvimento. Tem como meta prioritária a formação nos indivíduos de uma consciência coletiva, capaz de discernir a importância ambiental na preservação da espécie humana e, sobretudo, estimular um comportamento cooperativo nas diferentes relações inter e intra nações.” (GUIMARÃES, 1995)

Enquanto movimento social, a questão ambiental também se consolida no final da década de 60, e início da de 70, mas somente a partir da década de 80 foi marcada uma acentuada popularização desta questão.

Somente na década de 90 a Educação Ambiental se constitui como Lei no país a partir da instituição da Lei 9.795 de 27/04/1999 que dispõe a Política Nacional de Educação Ambiental, a qual reza que todos os níveis de ensino e da comunidade em geral têm direito à educação ambiental e que os meios de comunicação devem colaborar para a disseminação dessas informações.

Guimarães (1995), coloca que é necessário o exercício da práxis na EA, pois apenas a ação gera um ativismo sem profundidade, enquanto que a reflexão gera uma imobilidade que não cumprirá com a possibilidade transformadora da educação. Assim, a solução seria realizar um verdadeiro diálogo entre a atitude reflexiva e com a ação da teoria com a prática, ou seja, o pensar com o fazer. Este processo fortalece o homem e o possibilita interferir na realidade.

A educação ambiental enfatiza as regularidades, e busca manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais, é resumido no seguinte lema: pensar globalmente, agir localmente.

A seguinte frase de Paulo Freire (1983), parece bem apropriada ao conceito exposto:

“O homem é um ser de relações. A cultura é o reflexo do processo criativo do homem e este processo criativo o torna um agente de adaptação ativa e não de uma acomodação. Essa concepção distingue natureza de cultura, entendendo a cultura como o resultado do seu trabalho, do seu esforço criador. Essa descoberta é a responsável pelo resgate da sua autoestima, pois, tanto é cultura a obra de um grande escultor, quanto o tijolo feito pelo oleiro. Procura-se superar a dicotomia entre teoria e prática, pois durante o processo, quando o homem descobre que sua prática supõe um saber, conclui que conhecer é interferir na realidade, percebe-se como um sujeito da história.” (FREIRE, 1983).

 

Um programa de educação ambiental para ser efetivo deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. Utiliza-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor.

Destarte, alguns conceitos utilizados até de forma exaustiva em E.A. e nem sempre compreendidos em seu significado pleno, geram sérios problemas conceituais de formação do raciocínio. A seguir são apresentados alguns deles.

É necessário que o processo de educação ambiental seja realizado com a participação real dos educandos, para que não aconteça o que Brugger (1994), define como adestramento da seguinte forma: um tipo de instrução onde as pessoas são levadas a executar determinado tipo de função ou tarefa, identificadas com um determinado padrão utilitarista-unidimensional de pensamento-ação, onde as aspirações e os objetivos, que por seu conteúdo transcendem o universo estabelecido da palavra e da ação, são reduzidos a termos desse universo.

De acordo com Jacobi (1999), para se realizar um processo de educação, seja ele ambiental ou não, é preciso que se crie um conceito de interesse geral que se fortalece à medida que a cidadania e a dimensão da educação para uma cidadania ativa são assumidas como aspectos determinantes na multiplicação da prática participativa nos processos decisivos de interesse público.

O processo de participação só se concretiza através do conhecimento de sua causa, o acesso à informação, especialmente de grupos sociais mais excluídos, pode-se promover as mudanças comportamentais necessárias para possibilitar uma atuação mais orientada para o interesse geral. Cidadãos bem informados, ao se assumirem enquanto atores relevantes, têm mais condições de pressionar autoridades, assim como, de se motivar para ações de co-responsabilidade e participação comunitária. (JACOBI, 1999).

É preciso que se organize, formule estratégias baseadas em processos participativos, entre organizações governamentais ou não, para se concretizar a manutenção de um compromisso sócio-político para atingir objetivos de gestão ambiental orientados principalmente para os estratos mais carentes da população.

Fundamentando esse processo Jacobi (1999), explicita que a necessidade do fortalecimento do contexto institucional é inquestionável e que para isso ocorra torna-se essencial gerar referenciais para os moradores a respeito da disponibilidade, acesso e custos dos serviços permitindo-lhes estabelecer vários vínculos com a percepção dos problemas ambientais no seu entorno mais imediato – bairro e domicílio.

O desafio existente é formular vínculos viáveis para a implementação de melhoramentos que sejam tanto técnica quanto socialmente eficiente. O fortalecimento institucional é uma condição relevante, porém não suficiente, para a consolidar os melhoramentos. Existe a necessidade de se levar em consideração o nível de informação e/ou desinformação dos moradores a respeito das necessárias inter-relações com temas ambientais e seu envolvimento e motivações com uma perspectiva que enfatiza o interesse geral. (op. cit.).

Para CAHN (1995), reformas institucionais e, fundamentalmente, novos métodos nos processos de gestão das questões ambientais serão importantes para o sucesso das políticas relativas ao meio ambiente. Pensando nessa possibilidade é que se verifica a urgência da adoção de medidas educativas que sejam direcionadas para o meio ambiente, considerando que o ser humano exerce há milênios uma adoção decisiva sobre o meio ambiente e avaliando que essa ação nem sempre foi harmônica.

Segundo Loureiro et al (2002), mudanças de paradigma requerem mudanças de atitude. Logo, a Educação Ambiental busca a implantação de novas formas de relacionamento dos homens com as demais espécies, dos homens com o meio abiótico, mas, principalmente, do homem com os demais homens.

A Educação Ambiental deve começar em casa, atingir a rua e a praça, englobar o bairro, abranger a cidade, ultrapassar as periferias, repensar o destino dos bolsões de pobreza, penetrar na intimidade dos espaços opressores, atingir as peculiaridades e diversidades regionais para integrar os espaços nacionais. A preocupação básica da Educação Ambiental é garantir o meio ambiente sadio para todos os homens e tipos de vida existentes na face da Terra.

 Freire (2002) desenvolve a práxis educativa através da dialogicidade como processo de reflexão e ação na construção do conhecimento, é fundamental para intervir na realidade e promover a mudança levando à cidadania, o que implica um movimento dialético entre o desvelamento crítico da realidade e a ação social transformadora, segundo o princípio de que os seres humanos se educam reciprocamente e mediados pelo mundo. Assim, a educação, incluindo a educação ambiental, para ser efetiva não pode ser algo verticalizado do tipo educador-educando, mas sim reflexivo, construído, como afirmou Freire (1983) que deste processo, advém um conhecimento que é crítico, porque foi obtido de uma forma autenticamente reflexiva, e implica em ato constante de desvelar a realidade, posicionando-se nela. Portanto, o saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. (FREIRE, 1983).

 Loureiro et al (2002) coloca que a educação ambiental é uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidade e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade de vida e a atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente. Neste sentido, contribui para a tentativa de implementação de um padrão civilizacional e societário distinto do vigente, pautado numa nova ética da relação sociedade-natureza. Dessa forma, para a real transformação do quadro de crise estrutural e conjuntural em que vivemos, a educação ambiental, por definição, é elemento estratégico na formação de ampla consciência crítica das relações sociais e de produção que situam a inserção humana na natureza.

A Educação Ambiental entendida como aprendizagem de novas habilidades que levam à mudança de valores e atitudes deve envolver todos os atores sociais que interferem no meio ambiente: setor produtivo, governo e organizações da sociedade civil e neste estudo, a APA do Sana.

1.6         Justificativa

A relevância deste estudo baseia-se na importância da educação ambiental no contexto de construção de conceitos de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, ressaltando a participação popular no desenvolver deste processo, sem a qual não é possível o desenvolvimento das ações de educação. Assim, cabe ressaltar que a participação popular produz o processo de empoderamento na população, colocando-a num patamar de condições de discussão a respeito do tema: E.A. como elo de ligação entre a comunidade e o desenvolvimento sustentável.

1.7     Objetivos

1.7.1 Geral

Compreender os principais problemas acerca das questões ambientais locais da APA do Sana, sinalizando para a possibilidade de criação de multiplicadores ambientais que possam desempenhar uma função produtiva, que vise a melhoria da qualidade de vida e a preservação ambiental a partir da Educação Ambiental como elo de ligação com o Desenvolvimento Sustentável.

1.7.2 Específicos

  • Analisar o material documental existente no município a respeito da Área de Proteção Ambiental – APA do Sana;
  • Identificar a percepção da população a respeito das questões ambientais locais;
  • Propor medidas que auxiliem na ampliação do conhecimento, visando criar a concepção de multiplicadores ambientais.

II- MATERIAIS E MÉTODOS

2.1     Tipo de pesquisa

A pesquisa na APA do Sana consistiu na investigação da atuação da comunidade local, desenvolvida, num primeiro momento, por meio de pesquisas bibliográfica e documental. Numa segunda etapa, fez-se a coleta de dados, utilizando questionários, e finalmente a análise e interpretação sistemática dos dados.

Segundo Lüdke e André (1986), a pesquisa que tem o intuito de abordar e analisar as opiniões do público alvo, dentre outras características, é classificada como pesquisa qualitativa. Foram levantados fatores em âmbito social e cultural relacionados com a questão ambiental.

As pesquisas bibliográfica e documental, caracterizadas como estudos teóricos, foram realizadas através de um levantamento da literatura já publicada referente ao assunto, por meio de livros, periódicos, dissertações, teses, documentos e leis. Segundo May (2004) a pesquisa documental se torna um meio através do qual o pesquisador procura uma correspondência entre a sua descrição e os eventos aos quais ela se refere. Para Gil (1991) a pesquisa bibliográfica permite ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

O estudo de caso teve como objetivo descobrir a relação do público alvo com os recursos naturais existentes em sua comunidade e a forma de atuação, visando garantir a conservação e preservação desses recursos. Lüdke e André (1986) consideram que o estudo de caso visa à descoberta, mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos, deve se manter constantemente atento a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo.

2.2      Delimitação e alcance

Para este estudo escolheu-se a APA do Sana pela relevância de seu patrimônio natural e pela necessidade de uma gestão mais eficiente sob a ótica ambiental devido ao uso conflitivo dos recursos naturais dos ecossistemas ali presentes, acarretando uma progressiva degradação de grande parte de suas potencialidades turísticas e conservacionistas, gerando a necessidade urgente de dotar a região de um instrumento de Educação Ambiental para a comunidade, capaz de proporcionar desde já e no futuro, o uso múltiplo sustentado dos ecossistemas presentes na Unidade de Conservação – APA do Sana.

2.3         População e amostra

O público alvo selecionado para o estudo foi composto por 40 (quarenta) mulheres residentes no Sana, entre 30 e 50 anos. Gil (1991) considera que a escolha de indivíduos selecionados com bases em certas características mostra-se mais adequada para a obtenção de dados de natureza qualitativa.

2.4                 Instrumentos de coleta de dados

O estudo de caso foi realizado por meio da observação in locu e de questionários de entrevistas aplicados a 40 (quarenta) mulheres selecionadas, 23 (vinte e três) são artesãs e 17 (dezessete) apenas moradoras da localidade.

A questionário fundamentou-se em perguntas básicas e teve como finalidade analisar e obter informações a respeito da percepção da população sobre como vem se apresentando o processo de preservação/conservação da APA do Sana, e identificar a existência de ações de educação ambiental e desenvolvimento sustentável a partir da visão da população. Essas informações facilitaram a organização e auxiliaram no processo de construção da proposta da criação do programa de multiplicadores sociais que serão corresponsáveis pela proposta do desenvolvimento sustentável na região.

O questionário foi composto por 10 (dez) questões básicas, em que se buscava entender o conceito da população alvo sobre a preservação e conservação ambiental numa área de proteção, dizia respeito à participação do Estado como fomentador de ações de preservação e conservação do meio ambiente, buscava analisar a participação da sociedade nos processos de proteção ambiental e a percepção deste público quanto a estas questões, discutia a percepção do público alvo sobre o conceito de desenvolvimento sustentável e sua importância na região, e por fim, tratava da proposta de criação de programas e ações de educação ambiental para a população.

III- RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1      Análise dos resultados e discussões

No gráfico 1, pode-se verificar que apenas aquelas que compreendem o que realmente significa preservar o meio ambiente por meio de uma ação global e multidisciplinar perfazem 37,5% do total de entrevistadas, sendo 10 mulheres do grupo de artesãs e 05 do grupo de associadas, ainda que as outras entrevistadas perceberem o que ela significa.

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Nos gráficos 2 e 3 pode-se observar que mesmo o primeiro grupo apresentando um percentual maior do que o segundo em relação à participação do governo no fomento das ações de proteção ambiental no distrito do Sana, quando se analisa o grupo como um todo, 40 mulheres selecionadas inicialmente, verifica-se uma falta de real identificação quanto ao poder público atuar nas ações. Isto pode sugerir que essas pessoas não conseguem identificar que ações são realizadas pelo governo e quais são realizadas por organismos não-governamentais, uma vez que o percentual se mostra igual, ou seja, 50% de todas as entrevistadas verificam a participação pública e 50% não verificam.

Desta forma, se verifica que as ações de preservação/conservação ambiental são realizadas, no entanto, o que fica bastante claro nestas reflexões é que os organismos governamentais quando presentes pra o fomento destas ações, não se fazem transparecer como órgão responsável, isto é, por ser forte a presença de Organizações Não-Governamentais no distrito do Sana, trabalhando em conjunto com a comunidade para o desenvolvimento equilibrado do local, com respeito e proteção daquele meio, o poder público se exime da responsabilidade de promover ações na comunidade, atuando pontualmente em questões ligadas à proteção do Sana. É, então, por isso que, ao analisar as respostas, se observa que a população tem dificuldade de identificar o real papel do Estado.

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g3

Na análise das questões que dizem respeito à percepção das entrevistadas quanto a participação da população nas ações de proteção e preservação ambiental na comunidade do Sana, pode-se observar que as mulheres do primeiro grupo apresentam um percentual de 47,8% (11) de percepção em relação a  participação popular em debates relacionados à proteção do Sana (Gráfico 4).

 g4

No grupo das mulheres membros da associação, o percentual apresentado é de 23,5% apenas, com relação à mesma discussão anterior (Gráfico 5).

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Ao analisar o grupo de entrevistadas no total (Gráfico 6), percebe-se que o percentual se comporta de forma menos impactante do que aquele mostrado na questão anterior em relação às artesãs, mas ainda assim, se mantém elevado, demonstrando que a população alvo detém o conhecimento da importância de se desenvolver ações de sustentabilidade ambiental.

Mas contudo, não se pode deixar de incentivar ações que ampliem o grau de conhecimento geral sobre o tema junto a população, pois há um percentual ainda considerável de pessoas que desconhecem a importância do tema (27,50%).

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Correlacionando os dois grupos se observa que 95% das pessoas entrevistadas entendem que a educação ambiental deve ser o fio condutor para o desenvolvimento de uma comunidade sustentável (38 pessoas) e apenas duas (5%) não conseguem identificar este processo (Gráfico 7).

g7

Estas questões sugerem que a população do distrito do Sana está sensível as questões ambientais, necessitando que estas sejam melhor conduzidas para incluir um conceito de interesse geral, o que irá se fortalecer a medida que a participação popular se torne ativa e assuma o papel agente multiplicador e transformador deste universo (JACOBI, 1999).

Assim, o que se percebe é que a educação ambiental vem de encontro com a realidade do Sana, pois ela deverá ser o caminho a ser abordado para se fortalecer o conhecimento de proteção do meio ambiente local, com maior participação da população nestas questões, fazendo com que a comunidade seja, realmente, o ator social de maior importância na construção e manutenção da política ambiental na localidade, como ser ativo de todo o processo de desenvolvimento sustentável com respeito ao meio ambiente saudável, legado das gerações futuras.

 

IV- CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acredita-se, portanto, que a educação ambiental possa, a princípio, sensibilizar a população no tocante às questões ambientais, para que mais tarde, gere instrumentos que a capacite na identificação de problemas e a auxilie na busca de soluções, integrando-a na participação da conservação da biodiversidade e no uso múltiplo sustentado dos ecossistemas presentes na Unidade de Conservação – APA do Sana, como multiplicador no processo de conservação da área de proteção ambiental, junto a vizinhos, familiares, comunidades adjacentes e turistas. Afirma Dias (1992) que por lidar com a realidade, a educação ambiental pode e deve ser o agente de novos processos educativos que conduzam as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudança e melhoria do seu ambiente total.

O Sana foi escolhido para realização da pesquisa por compor uma diversidade de recursos naturais, caracterizados como vegetação de Mata Atlântica e mananciais que formam a Bacia Hidrográfica do rio Macaé, importantes para o equilíbrio do ecossistema local, onde as atividades antrópicas vêm acarretando grande degradação, o que levou o município de Macaé a desenvolver estudos para implantar uma unidade de conservação de uso sustentável, culminando na criação da APA do Sana.

A educação ambiental se caracteriza por ser um instrumento de associação teórico-prática, através de informações que possam intervir na realidade e promover mudanças de atitudes cotidianas, levando a novas práticas ambientais na construção da cidadania.

Na primeira fase, a análise documental e bibliográfica foi uma técnica valiosa, pois permitiu identificar informações factuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse.

Os dados coletados no questionário permitiram identificar o nível de conhecimento do público-alvo sobre a importância da proteção conservação e preservação ambiental em área de proteção ambiental.

Os resultados obtidos ressaltam que proposições de ações educacionais minimizam impactos ambientais. Como aplicabilidade prática da pesquisa, que demonstrou conhecimento limitado da importância das questões ambientais, pode-se sugerir como iniciada na comunidade estudada a educação ambiental como proposta para capacitação de multiplicadores, já que a crise ambiental contemporânea, mais do que uma questão ética é uma questão política, mais do que uma questão individual e privada é uma questão coletiva e pública. Estas ações implementadas sensibilizam a população para controlar, fiscalizar e monitorar a APA do Sana e fortalecem as estruturas organizativas da comunidade na proteção ambiental através da educação ambiental como instrumento articulador do desenvolvimento sustentável.

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